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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Vinícius Júnior acertou a lambreta, mas errou o gol em San Juan

Vinícius Júnior lamenta chance perdida pelo Brasil contra a Argentina nas Eliminatórias - JUAN MABROMATA/AFP
Vinícius Júnior lamenta chance perdida pelo Brasil contra a Argentina nas Eliminatórias Imagem: JUAN MABROMATA/AFP
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

16/11/2021 22h49

O Brasil sem Neymar e Casemiro foi melhor que a Argentina no empate sem gols no "alçapão" em San Juan. A Albiceleste teve Di María bem pela direita, mas sofreu com Messi longe das melhores condições físicas para desequilibrar e fazer a bola chegar a Lautaro Martínez.

A equipe de Tite foi organizada, especialmente na última linha defensiva, e teve personalidade para atacar. Com Matheus Cunha ganhando oportunidade como referência do 4-2-3-1, Lucas Paquetá por dentro e Vinicius Júnior entrando aberto à esquerda.

O atacante do Real Madrid foi o grande personagem do clássico sul-americano que valia a invencibilidade de ambas nas Eliminatórias, da Argentina desde a semifinal da Copa América de 2019 que chegou a 27 partidas. Incluindo a vitória no Maracanã que deu o título que não vinha desde 1993.

Levou caneta de Di María nos acréscimos do primeiro tempo, mas teve a bola do jogo aos 16 minutos. Infiltrando no tempo certo em diagonal e recebendo por dentro, à frente do goleiro Martínez. Era lance para chute forte, não a "cavadinha" que foi para fora. Continua sendo o aspecto que o brasileiro precisa mais evoluir. Na segunda etapa, mais uma boa chance, não tão clara. De novo a imprecisão.

Já na lambreta, recurso legítimo, em direção à linha de fundo e que não despertou nenhuma indignação nos rivais, o movimento perfeito, no tempo e no espaço. Até rendeu passe para finalização, porém mais complicado que a oportunidade cristalina para virar gol.

Fred chutou no travessão, também na segunda etapa. Foram as mesmas nove finalizações dos argentinos, mas apenas duas no alvo. Uma a menos que os donos da casa, que tiveram mais posse: 56% e 86% a 81% na efetividade dos passes.

Jogo duro, pegado, inclusive com cotovelada de Otamendi em Raphinha, ignorada pela arbitragem. Saturação de rivalidade por tudo que aconteceu em 2021. É para ganhar. Se for com espetáculo, melhor. Mas tudo seria mais belo e histórico se Vinicius tivesse colocado nas redes. Ainda mais para um Brasil que sofreu apenas quatro gols em 13 partidas na campanha que garantiu o país cinco vezes campeão mundial em mais uma Copa. Tem consistência de sobra para administrar uma vantagem.

Este que escreve não é do tipo que condena a jogada plástica, ou mesmo a firula. Muito menos com jogo empatado. Também não defende o cartão amarelo para o Maurício do Internacional, pelas embaixadas contra o Athletico, nem a confusão dos são-paulinos pelo domínio "abusado" de Michael no Morumbi. Ações que não ajudam em nada o futebol como entretenimento.

Mas Argentina x Brasil, com muito em jogo no confronto, nem tanto nas eliminatórias, não é para show. Ou é também. A imagem da lambreta de Vinicius vai rodar o mundo, mas para a história do clássico o gol em chute simples seria ouro.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL