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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: À deriva, Flamengo precisa de comando e time completo em Montevidéu

Renato Gaúcho é xingado por torcedores do Flamengo em derrota para o Athletico-PR na Copa do Brasil - Reprodução/TV Globo
Renato Gaúcho é xingado por torcedores do Flamengo em derrota para o Athletico-PR na Copa do Brasil Imagem: Reprodução/TV Globo
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

28/10/2021 07h07

O Athletico foi melhor nos 180 minutos da semifinal da Copa do Brasil e merecia ter vencido os dois jogos. Apesar das 25 finalizações do Flamengo no Maracanã. 15 de dentro da área, 11 na direção da meta do fantástico goleiro Santos e duas chances cristalinas isoladas por Andreas Pereira e Gabigol.

A equipe de Alberto Valentim teve variações táticas para defender - ora com quatro, ora com cinco homens na última linha - e o plano claro de atacar as costas de Filipe Luís com Nikão, autor de dois gols. O segundo em falha grotesca de Diego Alves. Nos acréscimos, para "brindar" 52 minutos jogados no lixo com Diego Ribas em campo. Não por culpa do camisa dez , mas de quem o escalou depois da péssima atuação no Fla-Flu junto com Andreas, no meio-campo.

Não faltou luta ao time carioca, porém ficou claro que quando as individualidades não resolvem, não há soluções de Renato Gaúcho. E a transição defensiva perdeu demais com encaixes que se desmontam com qualquer drible ou desmarque.

O ataque viveu da entrega de Bruno Henrique, da jogada manjada de Everton Ribeiro acionando Isla em profundidade e, depois, dos lampejos de habilidade de Michael, que poderia ter marcado um golaço com incrível sequência de dribles. Mas a bola não entrou. Ela não para de entrar por acaso.

O Flamengo está à deriva. Do presidente Landim fazendo campanha para reeleição, passando pelo departamento de futebol que erra nas decisões e na comunicação, ou falta dela. O "Caso Pedro" é apenas a ponta do iceberg de uma série de equívocos que escancaram a opção de se cercar de amigos, ao invés de buscar a excelência em todos os setores.

Os gritos de "Mister, Mister" também não são por acaso. A gestão Jorge Jesus foi o momento em que o poder financeiro se traduziu, de fato, em superioridade no campo. Porque havia comando. Tudo que o Flamengo precisa para chegar em condições de lutar pelo título da Libertadores. O ápice da temporada na América do Sul, mas que ganhou ares de "o que sobrou" para um clube que perdeu o rumo.

Porque o jogo contra o Atlético Mineiro no sábado e os demais pelo Brasileiro servirão apenas para administrar a vaga no G-6 e o elenco fisicamente para chegar inteiro em Montevidéu. Com ou sem Renato Gaúcho, a referência deve ser a equipe que jogou completa apenas por alguns minutos em Guayaquil, contra o Barcelona.

Diego Alves; Isla, Rodrigo Caio, David Luiz e Filipe Luís; Willian Arão e Andreas Pereira; Everton Ribeiro, De Arrascaeta e Bruno Henrique; Gabigol.

O melhor que o Flamengo pode colocar em campo, para, em jogo único, tentar vencer na fibra e no talento. É o que resta para que 2021 seja histórico, ainda que com apenas uma conquista relevante. A maior delas, que, a um mês do ato final no Uruguai, nunca pareceu tão distante.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL