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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Solksjaer fica, por respeito ao ídolo e ao trabalho. Mas e o United?

O volante Fred e o técnico Ole Solskjaer, do Manchester United - Phil Noble/Reuters
O volante Fred e o técnico Ole Solskjaer, do Manchester United Imagem: Phil Noble/Reuters
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

27/10/2021 06h39

Ole Gunnar Solksjaer renovou em julho o contrato com o Manchester United até 2024, com opção de prorrogação até o ano seguinte. A segunda colocação na Premier League e o vice da Liga Europa avalizaram menos o trabalho que a condição de ídolo como jogador, amigo de Alex Ferguson e com bom diálogo com os donos do clube.

Mas como treinador de um dos elencos mais valiosos da Europa, agora com Jadon Sancho, Varane e Cristiano Ronaldo, o norueguês já mostrou sérias limitações. Claramente não consegue extrair o melhor de seus talentos com um trabalho coletivo que os potencialize.

O time é caótico, descoordenado, com muitos espaços entre os setores. Compete, ganha jogos e protagoniza viradas espetaculares em Old Trafford porque é o maior vencedor da Inglaterra e os craques resolvem. Especialmente Cristiano Ronaldo na Liga dos Campeões.

Só que o desperdício de qualidade em campo pelos problemas no comando à beira do campo é nítido. E os 5 a 0 para o Liverpool no "Teatro dos Sonhos" foram para fazer tremer o chão no lado vermelho de Manchester.

Mas Solksjaer fica. Por respeito ao ídolo, também ao trabalho. Porque a avaliação que garantiu a continuidade foi equivocada. Há não muito tempo, o clube aventou os nomes de Tuchel, Pochettino e Nagelsmann. Agora estão todos bem empregados, embora o argentino seja questionado dia sim, outro também no PSG.

Zinedine Zidane seria um bom nome para tentar repetir em outro clube o sucesso na administração das feras no Real Madrid. Mas não tem pressa em voltar a trabalhar e os rumores são de que vai esperar o fim do ciclo de Didier Deschamps para assumir a seleção francesa.

Antonio Conte está livre no mercado e já sinalizou que aceitaria a empreitada. Só que o italiano temperamental divide opiniões na cúpula dos Red Devils. De fato, o risco de rachar um vestiário que precisa de muito tato para gerir seria enorme. Por outro lado, já tem experiência de Premier League, inclusive com titulo no Chelsea logo na primeira temporada.

Também por isso, Solksjaer sobrevive no cargo. Mas vai depender dos resultados imediatos, em uma agenda complicada: Tottenham no sábado pela liga e Atalanta na terça pela Champions. Para quatro dias depois encarar, em casa, o City de Guardiola. Se afundar ainda mais, é bem provável que o clube aproveite a pausa para a data FIFA de novembro e efetue a troca no comando técnico.

A questão é que o time já está fora da zona de classificação para a Liga dos Campeões e pode ficar ainda mais distante se for derrotado nas próximas rodadas. E a liderança do Grupo F no torneio continental, em caso de derrota para o time italiano e vitória do Villareal em casa sobre os Young Boys, viraria terceira colocação. Faltando duas rodadas. Não é impossível repetir a frustração da temporada passada indo parar na Liga Europa.

Uma temporada de renovação de esperanças, com o retorno de Cristiano Ronaldo, pode virar um fracasso retumbante. A mudança de técnico nem sempre resolve, mas neste caso está claro que uma recuperação é improvável. Não só técnica e tática, mas também anímica. Difícil imaginar Solksjaer reconquistando a confiança dos atletas.

O tempo está passando e pode ser bem cruel. Na temporada passada, o Chelsea respondeu rápido à troca de Lampard por Tuchel. Necessária e que se mostrou acertada desde o início, com o ápice na conquista da Champions. Não é pecado demitir, se não há sequer lastro de evolução da equipe.

É o caso do Manchester United. O único que não está sendo respeitado em todo esse enrosco que lembra muito os grandes clubes brasileiros. Só que no comando de um elenco de mais de um bilhão de euros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL