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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Palmeiras vira no abafa, mas proposta ofensiva é de time ambicioso

Jogadores do Palmeiras comemoram gol marcado contra o Sport - Marcello Zambrana/AGIF
Jogadores do Palmeiras comemoram gol marcado contra o Sport Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

25/10/2021 23h36

O Palmeiras cruzou 59 bolas na área do Sport no Allianz Parque. Um exagero, mas é o padrão do atual campeão da Libertadores e da Copa do Brasil há muitos anos em jogos com cenário parecido.

Sem espaços, com o adversário muito fechado após abrir o placar logo no início com Leandro Barcia, em ataque às costas de Marcos Rocha e aproveitando falha de posicionamento da última linha palmeirense. Chegando a atuar com cinco atrás em vários momentos da partida.

Mas o domínio da equipe de Abel Ferreira foi absoluto, desde o primeiro tempo. Com ênfase no segundo, quando o treinador português, enfim, reuniu por mais tempo Dudu, Raphael Veiga e Gustavo Scarpa, que entrou na vaga de Danilo. Dudu abriu bem pela direita para desarticular a defesa na base dos dribles, com Marcos Rocha auxiliando na saída de bola e apoiando por dentro.

Do lado oposto, Piquerez atacava o corredor esquerdo, permitindo que Rony se juntasse a Luiz Adriano na área do oponente. Depois entraram Willian e Deyverson, com a mesma ideia de jogo. Mudou um pouco com Patrick de Paula na vaga de Veiga. Mesmo assim, a essência do jogo posicional, instalado no campo de ataque e trabalhando a bola, não foi abandonada.

Virou em dois escanteios cobrados pela direita por Gustavo Scarpa, do total de 23 na partida. O primeiro completado por Luiz Adriano, meio sem querer, para depois comemorar mandando a própria torcida se calar. Uma tolice para quem sequer teve o nome gritado antes de a bola rolar. Mas acabou saindo aplaudido, por ter cumprido a missão sagrada do centroavante: ir às redes, seja lá como for.

Segundo de Felipe Melo, depois de desvio na primeira trave de Willian. Foram 37 finalizações, 25 de dentro da área, 16 no alvo. Fazendo do goleiro Mailson o melhor em campo do Sport. 65% de posse de bola, 85% de efetividade nos passes e muito volume ofensivo. Vitória no "abafa", na "empurrança". Mas tentando construir, sempre. Chegando ao terceiro triunfo consecutivo e subindo para a segunda colocação.

Mais importante foi a demonstração de ambição, sem a postura quase indiferente nas primeiras partidas logo depois da classificação para a final da Libertadores. Seria loucura empurrar com a barriga até dia 27 de novembro. Acima de tudo, um enorme desperdício de qualidade de um dos elencos mais valiosos do país e do continente.

Agora, sim, o comportamento de quem respeita a história do gigante Palmeiras.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL