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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Liverpool entrega a tragédia anunciada para o United de Solksjaer

Jogadores do Liverpool comemoram gol de Keita sobre o Manchester United - OLI SCARFF / AFP
Jogadores do Liverpool comemoram gol de Keita sobre o Manchester United Imagem: OLI SCARFF / AFP
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/10/2021 14h22

O Manchester United conseguiu duas viradas incríveis em casa pela Liga dos Campeões, sobre Villareal e Atalanta. Na terça, contra a equipe italiana, depois de estar perdendo por 2 a 0. Em ambos, gols de Cristiano Ronaldo no final e apoteose no estádio. Cenas de filme, ou da série que a história do português no torneio continental merece.

Mas na derrota para os Young Boys na estreia do Grupo F, nos 4 a 2 para o Leicester City e em tantos outros momentos da temporada, os Red Devils deram a impressão de ter muito elenco para pouco treinador. Ainda mais com as chegadas do CR7, mas também de Varane e Jason Sancho, se juntando a De Gea, Maguire, Pogba, Bruno Fernandes, Cavani...

Ole Gunnar Solksjaer é um ídolo do clube, tem bom trânsito com a direção e um certo feeling como manager, facilitado pelo polpudo orçamento. Mas a montagem da equipe sempre pareceu o Calcanhar de Aquiles do treinador norueguês, no comando desde 2019.

O desempenho irregular, com equipe muito espaçada e setores descoordenados, vivendo basicamente de seus talentos individuais e crescendo mais no emocional, principalmente depois do retorno do público ao seu estádio, tornou os jogos cada vez mais aleatórios. Poderia golear ou ser atropelado.

A tragédia anunciada veio logo contra o maior rival na Inglaterra, mesmo com o crescimento do City em Manchester. O Liverpool, com Sadio Mané no banco e Diogo Jota completando o ataque com Firmino e Mohamed Salah. O egipcio, que já vem sobrando na temporada, deitou e rolou com os espaços generosos cedidos pelo oponente.

Três gols, uma assistência. Destaque absoluto dos 5 a 0, igualando a maior goleada dos Reds na história do confronto. Construída com incrível naturalidade, a ponto de despertar a ira do sempre competitivo Cristiano Ronaldo. Não houve a menor chance de criar um ambiente favorável para virar na fibra e na força mental.

Com o gol anulado de CR7, em impedimento bem questionável confirmado pelo VAR, e a expulsão de Pogba, que entrou no segundo tempo na vaga de Greenwood, boa parte da torcida deixou o estádio entre os 15 e 20 minutos da segunda etapa, em cena impressionante. Mas, na prática, uma simples constatação de que o United precisa de qualidade equivalente à do elenco no comando técnico.

Não é o caso. E quando cruza com o time de Klopp faminto por retomada de protagonismo, com concentração e intensidade máximas até definir o jogo e se dar o direito de administrar e "descansar" em campo, não sobra nada no castelo de areia de Solksjaer. Cabe à direção que investe pesado e sonha com os títulos dos tempos de Alex Ferguson agir a tempo de salvar a temporada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL