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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Enfim, Messi aparece no PSG. City ajudou dando campo e gols perdidos

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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

28/09/2021 18h17

A proposta do Manchester City em Paris não foi equivocada. Posse de bola, volume de jogo, pressão pós-perda e, principalmente, muitas inversões para balançar os defensores adversários.

Na prática, apenas sete. Messi e Neymar até voltavam pelos lados preenchendo espaços, porém com pouquíssima participação sem bola, seja pressionando na frente ou combatendo no próprio campo. Mbappé ficava mais à frente.

Trabalho árduo para os meio-campistas Verratti, Ander Herrera e Gueye. Protegendo os ofensivos laterais Hakimi e Nuno Mendes, que guardaram mais o posicionamento na última linha com Marquinhos e Kimpembe. Concentração defensiva muito alta, mas sofrendo.

Tudo deu certo porque abriu o placar com Gueye. Vigor para correr demais defendendo e ainda aparecendo na frente para finalizar. Assim como Herrera fez Ederson trabalhar. Messi, Mbappé e Neymar só apareciam correndo em campo aberto.

E o City dava espaços. Porque seguia atacando, trocando passes, movendo as peças na frente. Só que o grande problema da equipe na temporada passada não foi resolvido na janela de transferências. Falta o artilheiro nato. Poderia ser Harry Kane ou até Cristiano Ronaldo.

Pep Guardiola quis Kane, mas não levou. E escolheu Sterling e Mahrez para o maior jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões. Mesmo com Gabriel Jesus decidindo contra o Chelsea na Premier League. O resultado prático é que em muitos jogos parelhos o domínio não é traduzido em gols.

A sequência da cabeçada de Sterling, livre, e Bernardo Silva no rebote, mais sozinho ainda, ambos acertando o travessão, é oportunidade que não pode ser desperdiçada. A mais perigosa das 17 finalizações do time inglês, sete no alvo. Nenhuma nas redes. Algumas contidas pelo ótimo Donnarumma na meta.

Messi sofria com esse jogo sem pausas, só em transições. Mbappé fica bem mais confortável. Neymar também, porém errou muito tecnicamente. Inclusive perdendo chance clara no segundo tempo.

Mas quando o próprio argentino conduziu no contragolpe, saiu a tabela com Mbappé e a finalização precisa que o mundo conhece. Resolvendo um jogo complicado, com apenas 47% de posse e seis finalizações, metade no alvo. Só que duas resolveram a partida.

Se Messi foi o grande personagem, pelo primeiro gol no novo clube justo na partida mais importante, a grande diferença no Parc des Princes foi a eficiência. O City ajudou dando campo ao adversário e gols perdidos. Mais uma vez, as escolhas de Guardiola podem e devem ser questionadas.

Mauricio Pochettino foi mais feliz, mesmo ainda sofrendo para equilibrar sua equipe estelar. Mas o despertar de Messi é a melhor notícia em Paris.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL