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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Flamengo de Renato é puro entretenimento. Diversão e fortes emoções

Gabigol deu a assistência para o primeiro gol de Bruno Henrique pelo Flamengo contra o Barcelona-EQU - Thiago Ribeiro/AGIF
Gabigol deu a assistência para o primeiro gol de Bruno Henrique pelo Flamengo contra o Barcelona-EQU Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

23/09/2021 08h18

O Flamengo poderia ter ido para o vestiário no intervalo perdendo por um ou dois a zero para o Barcelona de Guayaquil. Foi com 2 a 0 a favor e não seria nenhum absurdo ter praticamente resolvido a semifinal da Libertadores, já que criou outras chances, inclusive duas bolas no travessão do goleiro Burrai.

A equipe de Renato Gaúcho não controla nada. Parece até se abastecer do caos para ter espaços e se impor naturalmente pela superioridade técnica. Ainda mais nítida com a estreia de David Luiz, que mesmo totalmente desentrosado já se mostrou acima da média brasileira e sul-americana. Na saída de bola e também salvando duas vezes mais um ataque perigoso do time equatoriano.

O jogo de trocação, com momentos de pura "briga de rua", proporciona um espetáculo eletrizante. Ainda mais com público no Maracanã. Diego Alves terminou com cinco defesas, pelo menos três fundamentais. A mais importante logo no início, na sequência de finalizações de Mastriani e Preciado.

O Barcelona surpreendeu com marcação adiantada e tentando controlar pela posse, no ritmo de Damian Díaz, que encontrava espaços generosos às costas de Willian Arão e Andreas Pereira, este ainda se adaptando à função de meio-campista central dentro da dinâmica rubro-negra. Com Vitinho muito adiantado, praticamente não jogando sem bola. Só aparecendo em um momento de pressão no goleiro adversário, que quase entregou um gol.

Gabigol segue saindo demais da área, às vezes recuando para servir Isla, que, apesar do apoio da torcida, quase sempre errava o acabamento das jogadas, e Everton Ribeiro, que não é um grande finalizador. Tudo funciona melhor quando o camisa nove faz a inversão em busca de Bruno Henrique infiltrando na diagonal a partir da esquerda. Assim abriu o placar de cabeça.

Assim descomplicou o jogo para o Fla, que ganhou o contragolpe que esperava. De Everton Ribeiro a Gabigol, passe para Vitinho e assistência para Bruno Henrique apenas conferir. O caminho parecia aberto para nova goleada e outro confronto resolvido nos primeiros 90 minutos.

Mas Nixon Molina foi expulso no último lance da primeira etapa e mudou o contexto da disputa. Com 11 contra 11, o Flamengo teria espaços para as rápidas transições ofensivas. Já com a vantagem numérica viria a responsabilidade de ocupar o campo de ataque para tentar definir logo a vaga na decisão continental.

O Barcelona se reorganizou em um 4-4-1, trabalhando a bola com calma, sem se desorganizar atrás e buscando o gol "qualificado" que mudaria muito o cenário para a volta. Apesar da queda de produção na temporada, ainda é um time bem armado por Fabian Bustos, treinador corajoso e que ajudou a proporcionar um bom espetáculo no Rio de Janeiro.

E sua equipe está viva para o duelo final em Guayaquil. Porque tudo pode acontecer em um jogo do Flamengo, que é puro entretenimento. Diversão para quem assiste, fortes emoções para quem torce. Para o bem e para o mal.

É claro que os possíveis retornos de Filipe Luís e De Arrascaeta tornam o time rubro-negro muito mais forte. E a vantagem obrigará o Barcelona a atacar. Se no Maracanã finalizou 13 vezes, cinco no alvo, imagine em seus domínios.

A menos que o Fla recue as linhas, como contra o Grêmio em Porto Alegre pela Copa do Brasil, e ceda menos espaços entre as intermediárias. Andreas e Arão precisam coordenar melhor as caças e coberturas para não abrir tantos clarões à frente da última linha de defesa. Problemas compensados com muita qualidade do camisa 18 na articulação.

O favoritismo antes da bola rolar foi ampliado com os dois gols, mais ainda sem sofrer o "qualificado". Mas tudo pode acontecer em um jogo do Flamengo de Renato Gaúcho. Se na terça Palmeiras e Atlético Mineiro só entregaram competitividade, o Maracanã testemunhou um "thriller" de tirar o fôlego.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL