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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Athletico pragmático segura Santos sem ideias

Marinho em ação pelo Santos diante do Athletico, pela Copa do Brasil - Fernanda Luz/AGIF
Marinho em ação pelo Santos diante do Athletico, pela Copa do Brasil Imagem: Fernanda Luz/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

14/09/2021 23h59

O Santos viveu, basicamente, de bolas para Marinho na tentativa de reverter na Vila Belmiro a vantagem construída pelo Athletico na Arena da Baixada. Circulando a bola de forma lenta, sem acelerar para criar espaços. Mesmo buscando passe mais qualificado de trás com Vinicius Balieiro na zaga e, novamente, Jean Mota como volante mais fxo.

Necessidade básica diante do time novamente comandado por Paulo Autuori, depois da saída de Antonio Oliveira, que se fechou em um 5-2-3, preocupado em fechar Carlos Sánchez na entrada da área e, claro, proteger o ofensivo lateral Abner contra o solitário destaque santista, vindo de longa ausência por lesão.

Boa ocupação de espaços e sem abdicar do ataque, procurando aproximar Richard e Erick de Nikão e Terans. Liberados por Zé Ivaldo, que se juntou a Pedro Henrique e Thiago Heleno na zaga. Heroi improvável com o belo gol da vitória e da classificação. Depois de marcar contra no duelo pelo Brasileiro. Quando parou de bater em Marinho e pegou bem na bola, decidiu a vaga. Justo pela disputa nos 180 minutos.

A transição santista, de Fernando Diniz para Fabio Carille, não é simples, pelas visões de futebol muito diferentes. Mais complicada ainda pela necessidade de vitória. Agora são oito partidas sem vencer. Mas havia esperança, também pelo Athletico não sair com três pontos da Vila Belmiro há 15 anos, além da dura sequência recente.

Mas não criou para isso, apesar do esforço geral, especialmente de Gabriel Pirani, o meia central do 4-2-3-1 do time mandante. Mobilidade, iniciativa, porém ainda sem poder de decisão. Quando Marinho cansou, o time travou. Mesmo com 57% de posse e 19 finalizações, sete no alvo. Faltou, porém, a chance cristalina só apareceu no final, já no abafa desesperado. Consequência da falta de ideias no ataque.

Melhor para o Athletico, campeão da Copa do Brasil em 2019 e que chega novamente às semifinais. Depois de cair nas oitavas em 2020, justamente para o Flamengo, o provável adversário na próxima etapa. O favoritismo, obviamente, será do bicampeão brasileiro. Mas, historicamente o time paranaense costuma dar trabalho.

E haverá tempo para voltar a aliar desempenho e resultado. Inclusive com chances na Sul-Americana, disputando também semifinal contra o Peñarol. Há qualidade e Autuori adicionou o pragmatismo para seguir vivo nas competições de mata-mata. Uma solução de emergência que funcionou em Santos.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL