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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Seleção vence mais uma, com 'palhinha' tímida de Flamengo

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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

09/09/2021 23h47

Mais uma vitória protocolar da seleção brasileira nas eliminatórias. A oitava consecutiva, fazendo história. Mas segue a impressão de mera obrigação.

Tudo é contexto. Lionel Messi chorou ao celebrar a conquista da Copa América em Buenos Aires. Mas eram 28 anos sem títulos da seleção principal da Argentina. Brasil domina as eliminatórias desde 2006, com o hiato de 2014 como país sede. O valor de liderar com folga não é o mesmo.

Ainda mais com a superioridade sem brilho. E desta vez a impressão foi mais de economia, administração. Ou respeito excessivo a adversários mais fracos. O Peru disputou a Copa de 2018, fez jogo duro com a campeã França na fase de grupos. Na Copa América, fez final em 2019 e foi semifinalista na edição 2021, porém não vive o momento mais competitivo sob o comando de Ricardo Gareca.

Mas o primeiro tempo brasileiro foi animador. Tite repetiu a escalação dos cinco minutos disputados na Neo Química Arena contra a Argentina. Armada num 4-1-3-2, com Gerson mais avançado que Casemiro e se juntando ao quarteto ofensivo. Com espaço para infiltrar livre e perder grande chance no primeiro tempo.

Everton Ribeiro e Gabigol circulando com liberdade da direita para dentro, abrindo o corredor para Danilo, que apareceu mais vezes no ataque. Com o "plus" do talento de Neymar, mais aceso e participativo. Pressionando e roubando no campo de ataque no lance do gol de Everton Ribeiro e indo às redes, no rebote do chute do camisa onze.

Ecos do Flamengo, além do trio e ainda Paquetá, que saiu do clube pouco antes do início da era vitoriosa. Mas com mais jeito de Renato Gaúcho que Jorge Jesus. Pressionando menos, recuando mais para acelerar explorando os espaços cedidos. Com 59% de posse, seis finalizações, três no alvo e duas nas redes.

Segundo tempo baixando um pouco a posse, para 57%, e concluindo apenas quatro, uma na direção da meta de Pedro Gallese. Contra sete dos peruanos. Era possível manter um pouco mais a pressão no campo de ataque e a volúpia ofensiva. Tite prefere a segurança.

É uma escolha legítima, porém reforça a sensação de desperdício. A seleção vem negando entretenimento acoplado ao resultado. Coisa que o Flamengo entrega no universo de clubes, no Brasil e na América do Sul. E reforça o contraste quando escala os dois convocados, mais um que deixou o clube há pouco tempo.

Vitória com uma "palhinha" rubro-negra, porém tímida. Mais pelos jogadores e alguns movimentos automatizados, especialmente de Everton Ribeiro, entrelinhas e dando opções aos meio-campistas centrais. Para o torcedor do Flamengo, que há quase duas semanas não vê um jogo do time de coração, serviu para matar a saudade. Mas nem tanto assim.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL