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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Se faltou o jogo em Itaquera, está sobrando futebol em De Arrascaeta

Arrascaeta comemora gol na vitória do Uruguai contra a Bolívia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 - REUTERS/Pablo Porciuncula
Arrascaeta comemora gol na vitória do Uruguai contra a Bolívia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 Imagem: REUTERS/Pablo Porciuncula
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

06/09/2021 08h27

Foi um domingo de sonhos para quem trabalha com futebol, mas não aprecia muito o jogo em si. Tudo foi pauta: Anvisa, Polícia Federal, Conmebol, FIFA, CBF, portarias, Ministério da Saúde, protocolos sanitários...e a bola lá, paradinha. Nem precisou da tradicional carta da polêmica de arbitragem para se safar de falar do mais importante sobre Brasil x Argentina na Neo Química Arena.

Há muito a esclarecer sobre o caso e, claro, essa polêmica será ainda estendida por alguns dias. Uma vergonha para o mundo todo assistir. O que impressionou foi a naturalidade com que os argentinos deixaram o campo e o estádio, mesmo com o risco de perder os pontos por W.O. Mais um sinal de que essa fórmula de disputa das eliminatórias já perdeu o sentido e poderia ser mais curta e competitiva. Menos datas e jogos, mais valor para as vagas.

Bem, se faltou o grande jogo do fim-de-semana na América do Sul, em Itaquera, está sobrando futebol em De Arrascaeta. Maduro aos 27 anos, enfim consegue protagonismo também na seleção uruguaia. Mesmo sem Suárez e Cavani, marcou três gols em duas partidas. Um contra o Peru em Lima, dois sobre a Bolívia em Montevidéu.

Alguém pode questionar o nível do último adversário, penúltimo colocado das eliminatórias. Mas em outros momentos, nem nessas partidas o meia uruguaio conseguia destaque. Em algumas partidas por atuar muito aberto pela esquerda em uma segunda linha de quatro num 4-4-2 de Oscar Tabárez. Na maioria das vezes porque simplesmente não conseguia entregar o melhor desempenho.

Agora parece viver a plenitude física, técnica e, principalmente, de leitura de jogo. Encontrando os espaços para acionar os companheiros e o timing perfeito para aparecer na área e finalizar. Em 34 partidas na temporada 2021, incluindo Flamengo e seleção, já marcou 12 gols e serviu o mesmo número de assistências. Chegou a 71 passes decisivos e 17 grandes chances criadas.

Voando como a referência criativa da Celeste, o "enganche" do 4-3-1-2. Na equipe de Renato Gaúcho, com liberdade de movimentação na função de meia central do 4-2-3-1. Sem bola, participa dos momentos de pressão no campo de ataque. Na fase ofensiva, trabalha a partir da intermediária adversária buscando o passe diferente com técnica cada vez mais refinada. Ainda marcando gols com frequência.

Um luxo ainda contar com esse talento por aqui. Talvez pela evolucão um pouco mais lenta, o que tirou do radar dos times europeus, que buscam latinos cada vez mais jovens para lapidar no Velho Continente. Ainda assim, o Flamengo que cuide de renovar logo o contrato deste pilar de uma equipe histórica. Obviamente, sem fazer loucuras, como atender interesses que privilegiam mais o empresário que o atleta.

O melhor e maior estrangeiro que já vestiu a camisa do time de maior torcida do país precisa de reconhecimento e carinho para seguir desfilando sua classe no futebol brasileiro. Com o "efeito colateral" de ficar ausente nas datas FIFA e também mais visado pelos adversários do Uruguai.

Porque Giorgian De Arrascaeta está sobrando na América do Sul e compensou no domingo a confusão sem bola entre os grandes rivais em São Paulo.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL