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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Nenhum poço parece tão fundo para o Cruzeiro

Mozart dirigiu sua última partida pelo Cruzeiro no empate por 2 a 2 com o Londrina - GLEDSTON TAVARES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Mozart dirigiu sua última partida pelo Cruzeiro no empate por 2 a 2 com o Londrina Imagem: GLEDSTON TAVARES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

31/07/2021 08h24

O gol de Marcelo Moreno que decretou o empate por 2 a 2 com o Londrina no Mineirão saiu aos 30 minutos do segundo tempo. O Cruzeiro ainda pressionou no final e teve duas grandes chances para virar. Luta pela vitória não faltou.

Mas a celebração efusiva de todo time naquele momento, pelo alívio de evitar nova derrota, que seria a sétima no campeonato, chamou atenção. Em condições normais seria aquele gol mal comemorado, com o próprio Moreno correndo para pegar a bola e dar nova saída. Até pela posição na tabela da Série B.

Com o sétimo empate em 15 partidas e apenas duas vitórias, o Cruzeiro soma apenas 13 pontos. Se Vitória, Brasil de Pelotas ou Ponte Preta, que têm 12 pontos e ainda jogam na rodada, pontuar, o time celeste entra na zona de rebaixamento para a Série C. Hoje está no limite da 16ª posição.

É o apequenamento mais rápido, contundente e assustador da história do futebol brasileiro. Em 2018, o Cruzeiro era bicampeão da Copa do Brasil e competitivo no cenário sul-americano. O Fluminense caiu para a Série C em 1998, três anos depois de conquistar o Carioca e chegar à semifinal do Brasileiro. Em 1992 foi vice da Copa do Brasil.

O tombo do Cruzeiro parece maior. A ponto de Mozart Santos, um treinador de 41 anos e que trabalhou apenas em CSA e Chapecoense antes de desembarcar em Belo Horizonte para suceder Felipe Conceição, pedir demissão após nove jogos sem vencer. Porque é difícil encontrar soluções em cenário tão caótico.

A vitória por 1 a 0 sobre o rival Atlético em abril pelo Mineiro parecia uma luz no fim do túnel. Time organizado, capaz de duelar com o Galo de elenco milionário, mesclando experiência e juventude. Com Fabio fechando o gol, Rafael Sóbis liderando o ataque e Aírton definindo o clássico com belo gol em trabalho coletivo.

Mas em 2021 não há redenção com o clube imerso no caos financeiro, resultado de gestões irresponsáveis, empurrando os débitos que hoje chegam a cerca de 900 milhões e dívidas nas contratações de Arrascaeta, Riascos e Denilson que já geraram punições da FIFA e podem condenar o time à Série C independentemente do que acontecer no campo.

Um cenário aterrador. Agora Vanderlei Luxemburgo surge como um possível "messias", como Felipão tentou e não conseguiu ser na temporada passada. Não há fórmula mágica, é reconstrução praticamente do zero. Camisa e história podem ajudar, mas com trabalho e consciência da realidade atual. Se fosse uma empresa, seria insolvente e provavelmente teria fechado as portas.

A missão mais urgente é voltar a vencer. Sem comemorar tanto um gol de empate em casa. Não por orgulho, mas pela matemática para ao menos sobreviver na segunda divisão. Humilhante, mas real. Porque nenhum poço parece tão fundo para o Cruzeiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL