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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Renato conhece bem o Flamengo avassalador. Basta não atrapalhar

Jogadores do Flamengo comemoram gol contra o Bahia, em jogo pelo Brasileiro, em Salvador - Alexandre Vidal / Flamengo
Jogadores do Flamengo comemoram gol contra o Bahia, em jogo pelo Brasileiro, em Salvador Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

19/07/2021 08h18

O Grêmio de Renato Gaúcho foi um adversário marcante do Flamengo desde meados de 2019, quando Jorge Jesus assumiu o comando técnico do time rubro-negro.

Os reservas do time gaúcho, então focado na Copa do Brasil, foram as primeiras vítimas da arrancada depois da derrota por 3 a 0 para o Bahia, última até a conquista do título brasileiro e os 4 a 0 impostos na Vila Belmiro pelo Santos de Jorge Sampaoli na última rodada. A vitória por 3 a 1 no Maracanã foi a primeira de uma sequência de nove que fez o time tomar a liderança do Palmeiras e disparar.

Depois Renato viu seu Grêmio empatar por 1 a 1 sendo totalmente dominado em Porto Alegre na ida da semifinal da Libertadores. Na volta, a grande atuação do Flamengo de Jorge Jesus nos lendários 5 a 0. Ainda a vitória com oito reservas e um homem a menos por 1 a 0 no Sul que confirmou na semana seguinte o título, ajudado pelo triunfo do mesmo Grêmio sobre o Palmeiras em São Paulo.

Em 2020, empate por 1 a 1 no Maracanã, com gol de pênalti de Gabigol no final do jogo que fez parte do início conturbado do trabalho de Domènec Torrent. No returno, com o jogo já em 2021, a virada por 4 a 2 como visitante que fez parte da sequência de vitórias que construiu a campanha do bi.

Neste jogo em particular, o Flamengo até dominou o tricolor gaúcho no primeiro tempo, mas Diego Souza abriu o placar em bela cabeçada. Na volta do intervalo, o time deixou de lado o ataque posicional de Rogério Ceni, com Bruno Henrique preso pela esquerda, e, adicionando mobilidade e dinâmica, marcou quatro gols e poderia até ter aplicado uma goleada mais contundente.

Uma atuação muito parecida com a dos 5 a 0 sobre o Bahia em Pituaçu. Ainda que Michael, substituto de Bruno Henrique, tenha permanecido a maior parte do tempo aberto pela esquerda, o Fla reproduziu um volume de jogo como o dos melhores tempos com Jesus. Pressão pós-perda, toques rápidos, Everton Ribeiro e Arrascaeta acionando na profundidade Isla pela direita e Gabigol por dentro para finalizar.

Três do camisa nove, em sua estreia no Brasileiro, mais um gol no estilo Ibrahimovic, de "voadora", marcado por Pedro. Assistência de Vitinho, que marcou o último do massacre de 65% de posse, 90% de precisão nos passes e 16 finalizações - dez no alvo e o mesmo número de dentro da área. Quinze desarmes, seis no campo de ataque.

Uma equipe bem diferente da vitória sofrida sobre o Defensa y Justicia pela Libertadores. Pela força do time argentino, por conta das ausências no meio-campo de Willian Arão e Diego Ribas, que sobraram contra o Bahia. Mas também por uma maior interferência de Renato na saída de bola e na marcação.

O que se espera dele é o mesmo que deu muito certo no Grêmio: ajustes pontuais e gestão de vestiário, recuperando jogadores sem confiança e dando respaldo às estrelas.

Processo parecido com um momento marcante da história do Flamengo: em 1983, Carlos Alberto Torres iniciava sua carreira de treinador, um ano depois de se aposentar no Cosmos. A primeira ação foi sentar com Raul, Leandro, Júnior, Adílio e Zico para ouvir os craques e líderes do elenco. Em consenso, promoveu os jovens Elder e Júlio César como titulares. Seriam os garotos que correriam e fariam o "trabalho sujo" para os mais talentosos. Assim arrancou para o primeiro bicampeonato nacional do clube.

Outros tempos. Mas agora Renato pode repetir a trajetória vencedora. Com pouco tempo para treinar e disputando três competições sem priorizar, é conversar e deixar fluir o "jogo de memória" do melhor time do país. Avassalador quando desperta, como o novo treinador conhece tão bem. Basta não atrapalhar.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL