PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Itália campeã e melhor história da Euro. Inglaterra se apequenou

Jogadores da Itália comemoram, com o goleiro Donnarumma, o título da Eurocopa sobre a Inglaterra - Nick Potts/PA Images via Getty Image
Jogadores da Itália comemoram, com o goleiro Donnarumma, o título da Eurocopa sobre a Inglaterra Imagem: Nick Potts/PA Images via Getty Image
Conteúdo exclusivo para assinantes
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

11/07/2021 19h55

Qualquer seleção grande que decidisse um título em casa depois de 55 anos atropelaria o adversário depois de um gol com dois minutos de jogo. Ataque iniciado e finalizado por Luke Shaw, passando por Harry Kane, referência do 3-4-2-1 que havia dado tão certo nas oitavas contra a Alemanha.

Qualquer seleção grande que viesse de uma ausência em Copa do Mundo e tivesse sofrido tanto na semifinal derreteria com um gol sofrido tão cedo em decisão como visitante. Sofrendo novamente pela esquerda sem Spinazzola, apesar do trabalho correto de Emerson Palmieri.

A decisão em Wembley parecia condicionada e o triunfo inglês encaminhado. Mas a Inglaterra se apequenou a partir de dez, quinze minutos. Estacionou um ônibus no 5-4-1, confiando na solidez defensiva de apenas um gol sofrido no torneio.

Mas a Itália quando monta equipe competitiva é muito forte mentalmente. Bem treinada por Roberto Mancini e capaz de superar os problemas de Immobile, referência no ataque do 4-3-3 da Azzurra, para trabalhar em espaços reduzidos, sem campo para acelerar. Mancini novamente arriscou Berardi pela direita, invertendo o lado de Chiesa e usando Insigne como "falso nove", buscando os espaços entrelinhas.

Melhorou e dominou até empatar na bola parada, confusa e com Bonucci empurrando para as redes e fazendo justiça. A Itália precisou superar as saídas, por cansaço ou lesão, dos outros quatro mais adiantados: Chiesa, Verratti, Insigne e Barella. Queda técnica com Bernardeschi, Cristante, Locatelli e Belotti, retomando o ataque com um centroavante - ainda Florenzi improvisado pela esquerda na vaga de Emerson. Mas lutando com entrega absoluta, sempre no ataque.

Terminou com 66% de posse, 19 finalizações a seis, seis a dois no alvo. Dez conclusões italianas dentro da área, 27 desarmes contra 15. Quis mais, porém faltou gás. Já Southgate desfez o 5-4-1 sem bola só quando levou o empate, trocando Trippier por Saka e voltando ao 4-2-3-1. Ainda Henderson e Grealish nas vagas de Rice e Mount, substituições que não tornaram a equipe tão mais ofensiva. Nem no tempo normal, nem na prorrogação.

No último minuto, Rashford e Jadon Sancho entraram para bater pênaltis. Pois foram justamente os dois que perderam e ajudaram a Itália a virar a disputa depois de Belotti desperdiçar a segunda cobrança. Pickford ainda deu uma sobrevida pegando o chute de Jorginho, mas Donnarumma parou Saka e iniciou a festa "Football is coming to Rome".

Para consagrar a melhor história da Euro, que já merece um filme ou série "All or Nothing". Redenção com invencibilidade de 34 jogos. Se faltava o teste em competição grande, agora a Itália não tem mais nada a provar. Manda no continente e será uma grande favorita no Mundial do Catar.

Ao contrário da Inglaterra, que teve uma chance enorme de confirmar com uma conquista o bom trabalho desde a base e será difícil se recuperar do trauma. O medo de ser feliz empurrou o time para a defesa, mesmo com tudo favorável. Um pecado capital.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL