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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

França, Alemanha e Portugal classificados, mas ainda devendo

Cristiano Ronaldo e Pogba em ação durante Portugal x França, pela Eurocopa - UEFA via Getty Images
Cristiano Ronaldo e Pogba em ação durante Portugal x França, pela Eurocopa Imagem: UEFA via Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

23/06/2021 18h15

O Grupo F foi a grande atração da fase de grupos da Eurocopa e correspondeu com emoção até o fim. Mas a imprevisibilidade, que chegou a manter a Hungria viva até a última rodada, passa fundamentalmente pela irregularidade de França, Alemanha e Portugal.

Em comum, a impressão de que são gerações talentosas, porém subaproveitadas pelos treinadores. Didier Deschamps, Fernando Santos e Joachim Löw. Todos campeões e na história dos países, mas, mesmo considerando que os melhores do mundo trabalham nos principais clubes da Europa, são seleções que poderiam entregar bem mais.

A França por excesso de pragmatismo, jogando só o suficiente e explorando pouco a qualidade de Pogba, Griezmann, Benzema e Mbappé. Muitas vezes com preguiça, desinteresse. No ritmo do inconstante Pogba, capaz de passes espetaculares, como os que acionaram Mbappé no gol perdido e no pênalti sofrido pelo atacante, que este que escreve não marcaria, no primeiro tempo. Ainda no lançamento para Benzema marcar o segundo dele e da França nos 2 a 2 contra Portugal. O meio-campista, no entanto, nem sempre está a fim de competir em alto nível.

Cristiano Ronaldo também marcou dois, de pênalti, chegando a 14 gols como maior artilheiro do torneio e 109 como goleador máximo por uma seleção no planeta. O atual campeão do continente novamente criou pouco, mesmo com a entrada de Renato Sanchez que melhorou a produção no meio-campo. Ainda que a rotina na seleção não permita um coletivo tão forte, são muitos bons jogadores que não conseguem se sintonizar. Sobram a gana e a força mental do craque de 36 anos.

Por fim, a Alemanha peca por uma certa desmobilização na reta final do trabalho de Löw, que será sucedido por Hansi Flick. Acaba gerando uma oscilação que colocou a classificação em risco, mesmo na Allianz Arena. Contra a Hungria bem fechada no 5-3-2, não conseguia criar espaços para as viradas de jogo procurando Gosens e a mobilidade do ataque, que sentiu falta de Muller, que começou no banco para a entrada de Leroy Sané.

Falhas na defesa entregando dois gols e empatando no abafa, ganhando força física com Goretzka na vaga de Gundogan. Kroos quase marcou belo gol em tabela com Havertz, autor do primeiro gol. Goretzka chutou forte para decretar os 2 a 2 e impedir mais um vexame, repetindo a tragédia da Copa do Mundo há três anos.

França é favorita contra a Suíça. Até porque a tendência é novamente crescer nas disputas eliminatórias, como aconteceu no título mundial em 2018. Mas terá que se manter ligada por mais tempo no jogo.

Alemanha tem a chance de se impor contra a Inglaterra blasé. É até possível tratar a campeã mundial de 2014 como favorita, mesmo em Londres. Quem sabe a rivalidade deixa a equipe de Low mais constante, repetindo o atropelo sobre Portugal?

Cristiano Ronaldo vai precisar tirar mais gols da cartola para fazer história e garantir sua seleção contra a favorita Bélgica. Desta vez não haverá o fator surpresa, nem os cruzamentos menos complicados de 2016.

Para muitos, a Eurocopa começa agora, separando homens e meninos. Difícil prever o que farão os sobreviventes do grupo mais forte do torneio. Classificados, mas ainda devendo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL