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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Só uma infelicidade no "mata" da Euro quebra o círculo virtuoso da Itália

Pessina celebra ao lado de Verratti gol marcado pela Itália diante do País de Gales - Emmanuele Ciancaglini/Quality Sport Images/Getty Images
Pessina celebra ao lado de Verratti gol marcado pela Itália diante do País de Gales Imagem: Emmanuele Ciancaglini/Quality Sport Images/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

20/06/2021 15h11

Roberto Mancini ignorou a possibilidade de perder a invencibilidade de 29 jogos e a liderança do Grupo A no confronto direto com País de Gales em Roma. Trocou oito peças. Só manteve Donnarumma, Bonucci e Jorginho.

Com classificação garantida e considerando o desgaste da dura Série A, a estratégia tinha lógica. E se mostrou ainda mais correta na verdade do campo.

Porque a Itália manteve os mecanismos de defesa e ataque. Controlando o jogo pela posse, com linhas adiantadas. Abrindo o campo com um ponta e um lateral: Chiesa à direita, com Rafael Toloi improvisado na lateral e mais preso, e Emerson Palmieri pela esquerda - Bernardeschi saía da ponta para dentro e buscava com Pessina os espaços entrelinhas, com Belotti na referência fazendo o pivô.

Circulando a bola no ritmo de Marco Verratti, titular voltando de lesão e que mostrou desenvoltura para ser uma ótima opção, caso Mancini decida manter Barella e Locatelli à frente de Jorginho no 4-3-3 da Azzurra.

O perde-pressiona eficiente empurrou Gales para trás, sem dar muitas chances para as rápidas transições pelos flancos com Gareth Bale e Daniel James. Restou se defender num 5-4-1, mesmo depois do gol de Matteo Pessina, completando cobrança de falta pela direita de Verratti. Ainda mais depois da expulsão de Ethan Ampadu.

A Itália criou para fazer mais que o 1 a 0, placar final que garantiu, no saldo, País de Gales na segunda colocação. Com 64% de posse, 92% de efetividade nos passes, finalizando 23 vezes e cedendo apenas três conclusões. Muito volume e consistência impressionante.

Um círculo virtuoso que só pode ser quebrado com uma tarde ou noite infeliz no "mata", em jogo eliminatório a partir de agora. Obviamente sem provocar nenhum tipo de ruptura, até porque ano que vem já tem Copa do Mundo. O trabalho de Mancini é excelente. O bom desempenho com apenas três titulares (ou quatro, se considerar Verratti) foi apenas mais uma prova.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL