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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Vitória apertada com gol contra alemão não reflete superioridade da França

França comemora gol contra a Alemanha na estreia da Eurocopa - dpa/picture alliance via Getty I
França comemora gol contra a Alemanha na estreia da Eurocopa Imagem: dpa/picture alliance via Getty I
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

15/06/2021 18h21

A Alemanha teve mais a bola e ocupou o campo de ataque por muito mais tempo ao longo da partida em Munique.

Armada num 3-4-3 com Kimmich e Gosens nas alas, Havertz, Müller e Gnabry na frente. Mas um buraco no meio-campo que nem sempre era coberto por Toni Kroos e Gundogan. Um problema na transição defensiva que expunha o trio de zagueiros formado por Ginter, Hummels e Rudiger.

Pecado mortal contra a França que é campeã mundial e já seria favorita naturalmente na Eurocopa, para buscar o título que escapou em casa contra Portugal em 2016. Com o inesperado reforço no ataque de Benzema, depois de seis anos de ausência, a seleção de Didier Deschamps se torna a mais capaz no mundo de aliar competição e espetáculo.

Foi o que se viu na estreia. Em um 4-3-3 que era capaz de compactar os setores em não mais que 30 metros negando espaços e guardando a meta de Lloris, com todos dedicados a defender. Mas também criar a bela jogada do gol, atraindo toda marcação para o lado direito e Pogba acertando uma inversão primorosa para Lucas Hernández aparecer livre pela esquerda, cruzar e Hummels marcar contra.

O meio-campo francês merece um parágrafo à parte. Primeiro Kanté, que muitas vezes é tratado como um volante marcador e incansável, porém se destaca mesmo pelo posicionamento preciso que facilita desarmes e interceptações. Já Pogba, quando quer competir em alto nível, é um jogador estupendo. Em Munique, escondeu a bola, ditou o ritmo e ganhou o duelo entre as intermediárias com Kroos.

Rabiot seria um "elo fraco" no setor, mas se esforçou para compor pela esquerda auxiliando Hernández. Ainda apareceu na área para chutar na trave, recebendo belo passe de Mbappé. Uma das quatro finalizações da França no jogo, contra dez alemães. Com 59% de posse e 89% de efetividade nos passes, as estatísticas sem análise do jogo em si poderiam sinalizar o domínio da equipe de Joachim Low.

Mas a França teve um controle relativamente tranquilo, sem uma chance cristalina do rival. E poderia ter ampliado com dois contragolpes que foram anulados por impedimentos milimétricos de Mbappé, o grande destaque da partida. Primeiro recebendo de Pogba pela esquerda, balançando para cima de Kimmich e dando um tapa no canto esquerdo de Neuer.

Depois em rápida saída da pressão alemã que conectou Griezmann, Pogba, o lançamento um segundo atrasado para Mbappé, que serviu Benzema. Um pecado, mas a arbitragem, com auxílio do VAR no segundo lance, foi correta em ambos.

Vitória apertada que não refletiu o que foi a partida. Mas três pontos fundamentais em um grupo complicado, com as duas últimas campeãs mundiais e ainda Portugal, atual campeão europeu. A França foi madura e venceu à sua maneira.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL