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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Com posse inócua e sem Xavi/Iniesta, a Espanha não vai a lugar nenhum

Espanha x Suécia, pela Eurocopa 2021 - AFP
Espanha x Suécia, pela Eurocopa 2021 Imagem: AFP
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

14/06/2021 18h16

Com 25 minutos de jogo em Sevilla, a Suécia havia trocado apenas 26 passes. Quase um por minuto. Nenhuma questão de ficar com a bola.

Mas foi a seleção que finalizou na trave, com Isak e perdeu a chance mais clara, com Marcus Berg. Os atacantes num 4-4-2 organizado, com linhas compactas. Terminou com 25% de posse e 59% de efetividade nos passes. Mas nenhuma conclusão no alvo.

A Espanha teve posse e volume, não exatamente controle na estreia da fase final da Eurocopa. Tentava criar superioridade por dento com Dani Olmo saindo da esquerda e abrindo o corredor para Jordi Alba. No lado oposto, Ferrán Torres aberto e Llaporte, improvisado na lateral, muitas vezes apoiando por dentro.

A chance mais clara no primeiro tempo, porém, saiu na falha do zagueiro Danielson que Morata não aproveitou. Impressionante como o camisa sete espanhol é pouco eficiente nas finalizações. E Luis Enrique só colocou Gerard Moreno, artilheiro do Villareal, aos 28 minutos do segundo tempo. E quase achou o gol no final.

Mas a Espanha acertou 840 passes e finalizou 17 vezes, quatro no alvo. Não saiu do zero e decepcionou a torcida, mesmo considerando que é uma renovação, com grupo muito jovem.

Sem Xavi e Iniesta, grandes arquitetos da geração vencedora, bi da Euro em 2008/12 e mundial de 2010. Um controlava e dava o ritmo, o outro desequilibrava quebrando as linhas do adversário. Também sofria para ir às redes, especialmente na África do Sul. Com os olhos de hoje era um tanto monocórdico. A proposta, porém, foi impositiva e ganhou titulos. Fez histórica.

Agora será difícil, provavelmente uma fase de transição. Com posse inócua, sem rodagem e seus craques históricos, a tendência é não ir a lugar algum. Só não deve se enrolar no Grupo E, ainda com Polônia e Eslováquia, porque uma vitória ou mesmo três pontos no final pode classificar para as oitavas.

Mas a estreia irritou mais que deu esperanças.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL