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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Primeiro tensão, depois autoridade na vitória da Itália abrindo a Eurocopa

Ciro Immobile comemora gol da Itália contra a Turquia, pelo Grupo A da Eurocopa - Getty Images
Ciro Immobile comemora gol da Itália contra a Turquia, pelo Grupo A da Eurocopa Imagem: Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

11/06/2021 18h19

Era a volta da Itália a um grande torneio depois de cinco anos e uma reformulação com Roberto Mancini. Com 27 partidas de invencibilidade, mas ainda precisando se provar no mais alto nível. Natural a tensão na abertura da Eurocopa no Olímpico de Roma.

Complicada pelo 4-1-4-1 compacto da Turquia, que tentava conectar Çalhanoglu e Burak Yilmaz. Sem sucesso, já que foi um primeiro tempo de 33% de posse e nenhuma finalização. Contra 14 da Azzurra, porém só com três no alvo. Nenhuma chance cristalina em 45 minutos, apenas uma cabeçada com perigo de Chiellini.

Justamente porque faltava fluência, naturalidade. Um 4-3-3 com proposta ofensiva e intensidade na circulação da bola, dependendo da qualidade do primeiro passe do naturalizado Jorginho. Procurando Barella e Locatelli entre o meio e a defesa do oponente ou abrindo Berardi e Insigne pelos flancos, apoiados pelos laterais Florenzi e Spinazolla. Restou a reclamação justa por um pênalti com toque no braço do lateral Çelik.

Na segunda etapa, mais equilibrada emocionalmente e com Di Lorenzo na vaga de Florenzi, a Itália passou a gerar espaços. Também pelo desgaste da Turquia jogando sem bola por quase todo tempo. Mesmo ganhando velocidade nas transições com Cengiz Ünder. Se não criou, a Itália ao menos fez as linhas adversários balançarem.

Até Barella achar espaços entrelinhas, acionar Berardi à direita e o cruzamento parar nas redes com o desvio de Demiral contra as próprias redes. Com serenidade, ampliou naturalmente com Immobile e Insigne. Com eficiência, finalizando mais dez vezes, metade no alvo. Também momentos de espetáculo, especialmente do ponta esquerda do Napoli. Mas também coletivo, dentro de uma ideia de trabalhar a bola com técnica. Há tempos longe dos clichês de "catenaccio" ou "contropiede".

Jogando o Grupo A sempre em casa e já com público, a tendência é a Itália liderar com tranquilidade e aumentar ainda mais a série invicta. É claro que a partir das oitavas a pressão por vitórias contra seleções da primeira prateleira em competições oficiais será grande. Mas a vitória na estreia foi importante para dar ainda mais confiança.

Primeiro tensão, depois autoridade. O saldo final foi positivo.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL