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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Goleada é mérito do Fortaleza de Vojvoda, mas haja convicção no Inter

Titi comemora o primeiro gol do Fortaleza no duelo com o Inter em casa - KELY PEREIRA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Titi comemora o primeiro gol do Fortaleza no duelo com o Inter em casa Imagem: KELY PEREIRA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

06/06/2021 18h05

Miguel Ángel Ramírez mexeu muito na escalação do Internacional para o jogo no Castelão. Deixou Taison, Edenilson e Thiago Galhardo no banco, pensando no calendário apertado e também no respaldo da classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil, que deve ser confirmada contra o Vitória.

A atuação foi fraquíssima, especialmente no primeiro tempo sem uma finalização, apesar dos 59% de posse. Lentidão para circular a bola, baixa intensidade no trabalho defensivo e fragilidade gritante nas jogadas aéreas com bola parada. Assim saiu o segundo gol, de Robson. O primeiro do zagueiro Titi, com auxílio do VAR, completando para as redes no rebote de belíssima cobrança de falta de Lucas Crispim.

Meia que veste a camisa dez, mas atuou como ala pela esquerda. Se juntando a David no corredor, com Yago Pikachu fazendo o lado direito, suportado por Tinga, o zagueiro do trio com Benevenuto e Titi. Robson era a referência móvel na frente, com auxílio por dentro de Matheus Vargas, Felipe e Matheus Jussa.

Proposta ofensiva, apostando na versatilidade dos atletas. Mas sem a posse inegociável. Estilo direto e matando o rascunho de jogo posicional de Ramírez, com marcação por encaixes e muita pressão no adversário com a bola. Complexo, mas objetivo.

Os históricos 5 a 1 foram encaminhados com a justa expulsão do zagueiro Pedro Henrique no final da primeira etapa e o início de segundo tempo avassalador. Com Pikachu marcando o terceiro, do jogo e dele no campeonato. Em seguida, um rápido contragolpe que terminou com o bizarro gol contra de Zé Gabriel.

O Inter diminuiu com Praxedes, finalizou outras quatro vezes, mas a atuação foi pífia. Ramírez não vem se ajudando neste início de trabalho. Para quem já foi sondado pelo Palmeiras e recuou, reclamar da realidade brasileira ajuda pouco. Ainda mais no contexto que encara: Coudet, treinador de estilo parecido que saiu contestado por parte da torcida e da mídia gaúcho. Sucedido pelo ídolo Abel Braga, que ficou a um gol do título brasileiro.

Perdeu o estadual, sofreu mais que o esperado na Libertadores, começa mal o Brasileiro. Haja convicção da direção colorada.

O Fortaleza de Vojvoda não tem nada a ver com isso. Fechou o placar com Wellington Paulista, que entrou na vaga de Robson. Terminou com mais posse (51%), os mesmos 81% de efetividade nos passes do adversário, porém com 14 finalizações, oito na direção da meta de Marcelo Lomba. 16 a 12 nos desarmes.

A virada sobre o favorito Atlético-MG na estreia não foi acaso. São 17 partidas de invencibilidade. É um time para prestar atenção, mesmo sem fazer projeções com uma amostragem de duas rodadas. Mas o fato é que já superou dois candidatos ao título em potencial. Não é pouco.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL