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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Neymar, Messi e outras estrelas verão pela TV a final do jogo coletivo

Phil Foden, do Manchester City, divide com Azpilicueta, do Chelsea, em jogo do Campeonato Inglês - Ian Walton/APF
Phil Foden, do Manchester City, divide com Azpilicueta, do Chelsea, em jogo do Campeonato Inglês Imagem: Ian Walton/APF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

29/05/2021 07h46

Manchester City e Chelsea fazem a final inglesa da Liga dos Campeões no Estádio do Dragão. Duas marcas globais, porém não deve estar fácil "vender" o jogo em termos publicitários. Nenhuma grande estrela mundial que chame os holofotes para si ou crie um antagonismo marcante.

É claro que o duelo entre os treinadores Pep Guardiola e Thomas Tuchel é uma atração, assim como Kevin De Bruyne e N'Golo Kanté têm histórias de vida interessantes, deslocadas do estereótipo popstar da bola. No Brasil, Thiago Silva e Fernandinho merecem ser lembrados como veteranos que se mantêm em alta, mesmo questionados por muitos no próprio país.

Mas a estrela será o jogo coletivo das equipes. Versáteis e mutantes. Fortes em todas as etapas do jogo: fases defensiva e ofensiva, nas transições e nas bolas paradas. Com todos participando da pressão no campo de ataque ou recuando para guardar a própria área em não mais que 30 metros. Ninguém "descansando" sem bola. Todos se sacrificando em benefício do todo.

Comandados pelo técnico alemão, os Blues levaram vantagem nos confrontos pela Premier League e na Copa da Inglaterra. Mas em nenhum deles o time azul de Manchester jogou completo, rodando elenco para poupar peças na temporada em que ganhou dois títulos, está na final da Champions e a pior campanha foi cair em uma semifinal.

A concentração será fator decisivo. Um pequeno erro ou vacilo e o adversário chega à área em segundos com muita gente para finalizar. Não é acaso a campanha do City com apenas quatro gols sofridos e só um empate, ainda na fase de grupos. Contra o Porto, despachado pelo Chelsea de Tuchel nas quartas com duas derrotas. Sem ir às redes.

É possível que a tensão por tanto em jogo e a rivalidade entre times do mesmo país que se enfrentam com frequência dificultem o espetáculo para quem não torce para nenhum dos dois e só quer ver uma boa partida. A praga "final não se joga, se ganha" vem contaminando até o principal torneio de clubes do planeta.

Mas é simbólico que, assim como em 2018/19, tenhamos outra final inglesa sem as grandes grifes mundiais: Messi, Cristiano Ronaldo, Lewandowski, Neymar, Mbappé...Todos assistindo pela TV - ou celular, na era do streaming. Ou só aqueles que gostam de futebol. Ou os que não acham que sabem tudo. Ou aqueles que não estão mais preocupados com as polêmicas em que se envolvem.

Final sem favorito, que deve construir sua história com heróis e vilões. Mas essencialmente a celebração do jogo coletivo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL