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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Barcelona derrete em La Liga porque não dá mais para viver de Messi

Ronald Koeman, técnico do Barcelona, e Lionel Messi - REUTERS/Albert Gea
Ronald Koeman, técnico do Barcelona, e Lionel Messi Imagem: REUTERS/Albert Gea
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

17/05/2021 08h55

O noticiário sobre o Barcelona no domingo foi monopolizado, com justiça, pela conquista da Liga dos Campeões de futebol feminino, goleando o Chelsea por 4 a 0 na final.

Mas houve uma pontinha para a apuração de bastidores de que, entre os homens, a permanência de Ronald Koeman no comando técnico é uma incógnita para a próxima temporada. Apesar da conquista da Copa do Rei pelo time catalão.

Muito pela forma com que a equipe derreteu na liga espanhola e ficou sem chances de título na penúltima rodada ao emendar um empate em 3 a 3 com o Levante e derrota, no Camp Nou, de virada para o Celta de Vigo por 2 a 1. A distância para o líder Atlético de Madri era de dois pontos e subiu para sete.

Messi fez gols nas duas partidas, é o artilheiro absoluto com 30 gols. Mais nove assistências, participando de quase metade dos 84 gols do Barça. Ninguém pode reclamar de falta de desempenho do gênio argentino em sua possível última temporada no clube.

Pode ser a despedida justamente porque não dá mais para Messi levar nas costas um time com tantos problemas. Koeman tentou equilibrar os setores ao utilizar três zagueiros e liberar os alas Dest e Alba. Mas o retorno de Piqué voltou a deixar a defesa lenta e seus companheiros Mingueza, Lenglet e Araújo não colaboram com regularidade. E Busquets é outro ídolo na reta final da carreira que não entrega mais a intensidade necessária, apesar da qualidade intacta.

Na frente, a mesma inconstância com Dembelé e Griezmann oscilando demais, Pedri ainda verde para assumir grandes responsabilidades e Braithwaite, que não consegue ser o contraponto de força física e presença de área como se imaginava. Desperdiçou chance clara de manter o time respirando na liga, pouco antes do gol da virada do Celta.

Resta Frenkie de Jong tentando compensar tudo entre as duas intermediárias, mas são muitos buracos para cobrir. Mesmo em uma edição de liga sem muito brilho, o Barcelona não conseguiu ser competitivo até o final. Porque não adianta ser disparado o ataque mais positivo, líder em posse, acerto de passes e finalizações, mas ter média superior a um gol sofrido por jogo. São 38, contra 24 do Atlético e 27 do Real Madrid.

City e Chelsea decidem a Champions sustentados também por defesas fortes. Nas grandes ligas, a tendência é apenas o Bayern vencer sem ser o menos vazado. O jogo requer cada vez mais versatilidade, inteligência e elenco homogêneo para ser consistente. O Barcelona tem uma escola que já parece antiquada, problemas financeiros e políticos...e Lionel Messi. Ainda.

Não é mais o suficiente. Por isso vale olhar com carinho para o grande feito das mulheres. Agora elas são o Barça que dá certo.

(Estatísticas: Whoscored.com)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL