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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Fluminense mostra mais equilíbrio e soluções no elenco que o Flamengo blasé

Abel Hernández, do Fluminense, empatou o placar no Maracanã - Mailson Santana / Fluminense FC
Abel Hernández, do Fluminense, empatou o placar no Maracanã Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

16/05/2021 08h19

O Fluminense não jogou nos primeiros 45 minutos da primeira final do Carioca no Maracanã. Porque o Flamengo não deixou e também pelas dificuldades de Fred e Nenê para entregar intensidade em nível mais alto de disputa.

Os jovens pontas Kayky e Gabriel Teixeira, que seriam o "desafogo" na velocidade, eram empurrados para trás pela rápida circulação de bola dos rubro-negros e sufocados ainda no próprio campo pelo perde-pressiona bem feito pelo rival. Egídio errou duas vezes, perdendo a bola e cometendo pênalti tolo em Gerson. O gol de Gabigol saiu barato em um contexto de 67% de posse e 92% de acerto nos passes do Flamengo, seis finalizações contra apenas uma.

Ainda assim, o time de Roger Machado teve duas chances claras de marcar. Em bola parada que sobrou livre para Kayky perder diante do goleiro Gabriel Batista e em rápida transição ofensiva que encontrou Fred e Nenê, mas a dupla de veteranos não conseguiu finalizar dentro da área.

Na volta do intervalo, um roteiro que lembrou a virada por 2 a 1 pelo returno do Brasileiro. Porque o Flamengo segue com problemas crônicos, como as oportunidades desperdiçadas na frente e a fragilidade defensiva que independe de nomes. Mas também pelo maior equilíbrio do elenco tricolor, que agora entrega mais soluções ao treinador Roger Machado.

Com Caio Paulista e Luiz Henrique nas pontas, Cazares na articulação e Abel Hernández na referência do ataque, o Flu ganhou fôlego, intensidade e fluência na frente. Subiu a posse de 33% para 40%, finalizou cinco vezes, três no alvo. Empatou no jogo aéreo com Abel e teve a chance da virada com Luiz Henrique em contragolpe aproveitando pane da defesa rubro-negra.

Já o Flamengo, com seu ar blasé de quem acha que pode vencer quando bem entende, se atrapalhou quando Rogério Ceni precisou recorrer ao banco de reservas. E desta vez ninguém pode reclamar das escolhas do treinador. Tirou os amarelados e sobrecarregados Isla e Diego, trocou os contestados Everton Ribeiro e Bruno Henrique - este perdendo duas chances claras, uma em cada tempo - por Vitinho e Pedro. Como pedem muitos torcedores.

Além do cansaço pela sequência de partidas, o time perdeu conexão entre meio e ataque. Vitinho aberto pela direita não funciona. Quando apareceu por dentro quase marcou, em chute perigoso. Gabigol e Pedro ficaram isolados, bem marcados por Nino e Luccas Claro, a sempre eficiente dupla de zaga tricolor.

A expectativa pela decisão no sábado é de uma arbitragem melhor que a confusa de Alexandre Vargas Tavares de Jesus e menos "pilha" dos jogadores, aditivada por inexplicáveis convidados em um jogo que teve a presença de público vetada pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

No campo, o Flamengo precisa encarar a final como um clássico diante de uma equipe que terminou o último Brasileiro entre os cinco primeiros colocados e lidera seu grupo na Libertadores. O Fluminense mostrou que merece respeito, até por ainda não ter sido derrotado nos três Fla-Flus em 2021. Pode, sim, vencer e encerrar um jejum de oito anos sem títulos.

(Estatísticas: Footstats)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL