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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Chelsea finalista porque é bem treinado. Zidane abusou do direito de errar

Timo Werner comemora gol do Chelsea contra o Real Madrid - Getty Images
Timo Werner comemora gol do Chelsea contra o Real Madrid Imagem: Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

05/05/2021 18h17

A ideia inicial de Zinedine Zidane para tentar surpreender no Stamford Bridge o Chelsea que foi melhor em Madri era até aceitável:

Três zagueiros: Militão à direita, Sergio Ramos de volta ao time por dentro e Nacho pela esquerda. Casemiro, o volante que eventualmente recuava para formar por dentro uma linha de quatro. Vinicius Júnior e Mendy abrindo o campo com alas; Modric, Kroos e Hazard tentando criar por dentro e Benzema na frente, preocupando o trio de defensores do Chelsea e fazendo o pivô.

Três chutes de fora da área que deram trabalho ao goleiro Mendy. Mas nenhuma profundidade. E o grande problema, ainda mais para enfrentar o time londrino: a transição defensiva era lenta e cedia muitos espaços por dentro nos contragolpes. Justamente onde os Blues atacam com perigo, aproximando Havertz e Mason Mount de Timo Werner, o atacante mais avançado do 3-4-2-1 armado por Thomas Tuchel.

Quando o Chelsea controlou a tensão de decidir em casa contra o Real Madrid uma vaga na final de Liga dos Campeões, a diferença tática ficou evidente. E Kanté começou a sobrar. Na proteção da defesa com Jorginho e aparecendo à frente. Werner fez o pivô perfeito, Kanté apareceu livre e serviu Havertz. "Cavadinha" por cima de Courtois no travessão e Werner empurrou de cabeça.

Com apenas 34% de posse, o time de Tuchel finalizou cinco vezes, duas no alvo e o gol que deixou o jogo ainda mais confortável. Porque a equipe inglesa é extremamente bem treinada. Coordenação quase perfeita entre os setores, com pressão constante sobre o adversário com a bola, eficiência nas coberturas...e arrasador nos contragolpes.

Zidane facilitou o trabalho ao demorar tanto para substituir. Vinicius Júnior como uma espécie de ala não funcionou, foi bem controlado por Chilwell. Mendy também produziu pouco. Ambos poderiam ter saído no intervalo. Ou Hazard, pouco móvel e criativo. Valverde entrou pela direita e só apareceu para salvar gol certo de Kanté. Asensio foi domado por Azpilicueta pela esquerda. E Hazard só saiu no final.

Depois do segundo gol, que definiu a vaga do Chelsea. De novo Kanté conduzindo, assistência de Pulisic, que substituiu Werner, e gol de Mount. Fazendo justiça a um segundo tempo quase perfeito. Só faltou aproveitar mais as oportunidades, com Havertz, Kanté e o próprio Mount. Com 36% de posse, subiu para 14 finalizações, cinco na direção da meta de Courtois. O Real só concluiu mais três, um símbolo do segundo tempo decepcionante, muito pelas decisões do treinador.

Zidane abusou do direito de errar e Tuchel está em sua segunda final consecutiva. Os dois times mais sólidos e organizados vão decidir a Champions do jogo coletivo. Sem estrelas midiáticas ou camisas pesadas, mas trabalhos competentes. De Guardiola mais longo e maduro, de Tuchel surpreendente pelo encaixe imediato. O City é favorito, mas não será nenhum absurdo os Blues faturarem o bi em Istambul.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL