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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Campeão italiano, Conte estará em "espírito" nas semifinais da Champions

Antonio Conte Chelsea - Hannah McKay/Reuters
Antonio Conte Chelsea Imagem: Hannah McKay/Reuters
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

04/05/2021 09h40

Antonio Conte começou o período de domínio da Juventus no futebol italiano, com os três primeiros scudettos a partir de 2011. Sequência que chegaria ao eneacampeonato, mas foi interrompida pela Internazionale...comandada por Conte.

Com três zagueiros, coordenação defensiva, força pelos flancos com apoio dos alas, especialmente Hakimi à direita, e uma dupla de ataque implacável: Romero Lukaku, com 21 gols e 10 assistências, e Lautaro Martínez, 15 gols e cinco passes para gol. Título incontestável com quatro rodadas de antecedência e 13 pontos de vantagem sobre a Juventus de Andrea Pirlo e Cristiano Ronaldo.

Conte recupera a hegemonia do Calcio na segunda temporada em Milão. Perto de seu "prazo de validade" por conta da personalidade forte e intensa que cria atritos com a direção do clube e jogadores. Mas é bem possível que siga no clube para tentar construir uma nova dinastia na Itália e, principalmente, ser mais feliz na Liga dos Campeões.

Em duas tentativas, grupos complicadíssimos e eliminações para Barcelona e Borussia Dortmund na temporada passada e a lanterna do equilibrado grupo B com seis pontos, quatro atrás do líder Real Madrid e superada por Borussia Monchengladbach e Shakhtar Donetsk.

Mas apesar dos reveses, o treinador italiano estará ao menos em "espírito" nas semifinais da Champions. Especialmente no Chelsea de Thomas Tuchel.

Treinador alemão também de personalidade forte e que não dura muito nos cargos, depois dos cinco anos no Mainz. Duas temporadas no Borussia Dortmund, uma e meia no PSG e agora nos Blues.

Trabalho que ganhou encaixe rápido, justamente por resgatar algumas ideias de Conte na marcante chegada a Londres que terminou com o título da Premier League. Três zagueiros, sendo um deles Azpilicueta, lateral que torna o trio mais ágil. Meio-campo mais marcador, com Ngolo Kanté se multiplicando entre as intermediárias. Muitas vezes é um zagueiro que aciona diretamente o ataque.

Amplitude e agressividade com os alas - antes Moses e Marcos Alonso, agora Reece James e Chilwell - e três atacantes se procurando por dentro. Em 2016/17 eram Pedro e Hazard circulando em torno da referência Diego Costa. Com Tuchel, muita dinâmica e movimentação com Pulisic, Ziyech, Havertz, Mason Mount e Timo Werner.

Contra o Real na ida em Madri, Christensen entrou na zaga e empurrou Azpilicueta para a ala. Cuidados no setor contra Marcelo e VInicius Júnior. Pode se repetir no Stamford Bridge, embora o retorno de James não esteja descartado para entregar mais força ofensiva. No ataque, Werner, criticado até pela esposa de Thiago Silva, pode perder a vaga para Havertz.

Tuchel não é Conte. Tem influências do jogo de posição de Pep Guardiola e da intensidade da escola alemã, principalmente Jürgen Klopp. Mas seu Chelsea lembra muito na dinâmica o do italiano. Conte também resgatou com protagonismo o sistema com três zagueiros, que volta a ser utilizado com frequência na "elite" europeia.

Inclusive no Real Madrid de Zidane, adversário do Chelsea. Com Militão, Varane e Nacho na ida da semifinal e pode ser solução na volta, com o retorno de Sergio Ramos e a ausência de Varane, o novo lesionado dos merengues no sistema defensivo. Trio com dois defensores rápidos pelo lado e um mais experiente e organizador no centro - no Chelsea de Conte era David Luiz.

É possível ver uma aura do italiano até no Manchester City de Guardiola. Nem tanto no modelo de jogo, mas na influência pelo choque de realidade que o treinador catalão teve em sua primeira experiência na Inglaterra. Superado justamente pelo Chelsea de Conte. O próprio Guardiola sempre se refere ao duro aprendizado para lidar com a intensidade e o jogo de transições e adaptar o próprio estilo, hoje dominante na Premier League com mais um título encaminhado. O terceiro em cinco temporadas. Conte chegou com imposição de cara, mas não durou muito.

Por isso passa rápido deixando títulos e legado. Falta ganhar a Champions para tornar o currículo mais completo no alto nível europeu. Mas ao menos nesta semifinal o maior torneio de clubes do planeta terá um pouco das digitais de Conte.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL