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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Daniel Alves, o "ala desequilibrante", foi o melhor do São Paulo 100%

Daniel Alves faz a enfiada em partida do São Paulo contra o Rentistas - Marcello Zambrana/AGIF
Daniel Alves faz a enfiada em partida do São Paulo contra o Rentistas Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

29/04/2021 23h13

Assistência para o gol de Pablo, o primeiro no Morumbi. Depois sofreu a falta de Agustín Acosta, que acabou expulso. No final, bela inversão para Reinaldo, que cruzou, e Igor Gomes finalizou de virada, gerando o pênalti convertido por Reinaldo.

Daniel Alves foi o melhor em campo nos 2 a 0 sobre Rentistas. Com a camisa dez, mas não mais como meia. No 3-4-1-2, foi novamente o ala pela direita. Como construtor, facilitando o jogo. E pensando em uma região nem sempre tão povoada.

Quando dá dois passos para dentro e avança, pode explorar um espaço valiosíssimo entre a defesa e o meio do adversário. E o melhor: o meio-campo com Benítez não perde o organizador. Aos poucos vai ajustando a dinâmica para que outros jogadores busquem a profundidade no setor, compensando as características de Daniel Alves, que não são do típico ala que voa atacando o corredor para cruzar. Luciano e Benítez foram os que mais apareceram.

O São Paulo de Hernán Crespo vai evoluindo em desempenho, com o respaldo dos resultados. Oito vitórias seguidas, cinco sem levar gols. Agora com Miranda no centro do trio de zagueiros, com Arboleda e Bruno Alves. Protegidos por Luan, que também sai para o jogo, alternando com Liziero, que aparentemente ganhou a vaga do jovem Rodrigo Nestor. Falta Luciano se encaixar de vez na dupla com Pablo.

O Tricolor do Morumbi conseguiu se impor mesmo com as dificuldades impostas pelo time uruguaio, que curiosamente cresceu depois da expulsão e deu trabalho. Mas só finalizou três vezes, uma no alvo. Apenas 25% de posse. O São Paulo concluiu 18 vezes, seis na direção da meta do goleiro Nicolás Rossi. E o mais impressionante: nada menos que 23 desarmes certos, mais que o dobro do oponente (10).

É um início de trabalho promissor, até empolgante. Com organização, intensidade, perde-pressiona e capacidade de rodar o elenco explorando o melhor das características de cada atleta. Mesmo descontando o efeito positivo do "fato novo", há muita coisa interessante na equipe do treinador argentino.

E se Tite gosta dos "externos desequilibrantes", vale voltar a olhar com carinho para Daniel Alves como ala. Craque da última Copa América, perto de completar 38 anos. Mas de volta ao lado direito para fazer a diferença em alto nível. No São Paulo 100%.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL