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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

City campeão com herói improvável, mas terá que ser mais efetivo contra PSG

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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

25/04/2021 14h40

Foram 21 finalizações do City na final da Copa da Liga Inglesa em Wembley. Com 62% de posse e controle total do jogo. E Pep Guardiola só fazendo a primeira troca aos 41 minutos do segundo tempo, por ter outro jogo decisivo na quarta-feira: ida da semifinal da Liga dos Campeões, fora de casa contra o Paris Saint-Germain.

Parecia que o Tottenham comandado pelo jovem Ryan Maison, interino depois da demissão de José Mourinho, "cometeria o crime" para punir o rival "arame liso". Fechado na maior parte do tempo em 25 metros entre Harry Kane e a última linha defensiva. Empurrado para o próprio campo por uma equipe extremamente bem treinada e competitiva.

Com Kevin De Bruyne de volta à equipe alternando na função de "falso nove" com Phil Foden e circulando por todos os setores como o "homem livre", uma das chaves do jogo de posição. Mas a equipe dinâmica e que produz impressionante volume de jogo não vem conseguindo ser tão efetiva nas finalizações. Foram dez contra uma no primeiro tempo, mais onze contra uma na segunda etapa. 21, porém só quatro no alvo.

E só foi às redes na bola parada. Cruzamento do incrível De Bruyne, golpe preciso de Laporte na cabeçada que, enfim, venceu Lloris. Defensor que só estava em campo formando a dupla de zaga com Rúben Dias porque Stones estava suspenso pela expulsão na derrota para o Chelsea pela semifinal da Copa da Inglaterra. Um herói improvável.

O quarto título consecutivo do time azul de Manchester no torneio. Agora o maior vencedor da competição, ao lado do Liverpool, com oito. Também a 30ª conquista de Pep Guardiola desde a estreia no time principal do Barcelona há quase 13 anos. Com direito a um ano "sabático" antes de assumir o Bayern de Munique em 2013.

Números fantásticos de um dos grandes treinadores da história do futebol, mas há a "lacuna" da Champions desde os dois títulos pelo Barça. E o desafio será tão grande quanto o provável desconforto contra o time de Neymar e Mbappé. Ter a bola, controlar pela posse em casa e fora, mas sofrer tanto quanto o Bayern nas quartas diante de uma equipe talentosa e letal na frente.

Os poucos contragolpes cedidos a Lucas Moura, depois Bale, Kane e Son podem ser fatais no Parc des Princes e no Etihad Stadium. Mas Guardiola não vai abrir mão de suas convicções. E é melhor que seja assim do que tentar "inventar" e se complicar no maior torneio de clubes do planeta, como aconteceu nas últimas temporadas.

Mais prudente será cuidar dos astros do PSG e, de preferência, melhorar essa relação de finalizações/gols. Para enfim se impor com autoridade na Europa como vem mandando na Inglaterra nas últimas temporadas.

(Estatísticas: BBC)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL