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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Cruzeiro vence e escancara distância do Galo para Flamengo e Palmeiras

André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

11/04/2021 18h26

A expectativa do "clássico dos 100 anos" no Mineirão era de uma superioridade natural do Atlético, ainda que não exatamente uma goleada, porque historicamente a rivalidade costuma equilibrar minimamente as forças.
Mas não deixou de ser surpreendente, mesmo no início do trabalho de Cuca e o encaixe de Tche Tche no meio-campo, as dificuldades do Galo para criar espaços, acelerar a circulação da bola e fazê-la chegar limpa a Nacho Fernández para a articulação.

Méritos do Cruzeiro, obviamente. Organizado por Felipe Conceição para compactar os setores, alternando o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1 com o recuo de Marcinho por dentro, se juntando aos volantes Adriano e Matheus Barbosa na proteção.

Na transição ofensiva, ataques coordenados com calma, até porque a referência na frente é o veterano Rafael Sóbis, sem a rapidez de outros tempos. Os ataques fluíam melhor pela direita, com Cáceres e Bruno José. E defensivamente o esforço era grande para conter Keno e Guilherme Arana, o lado mais efetivo do rival.

A empolgação pelo bom primeiro tempo fez o Cruzeiro avançar as linhas no início da segunda etapa e ceder o que o Galo mais queria: brechas entre os setores e campo livre às costas da defesa. Fábio impediu com grande intervenção um gol certo de Vargas, na primeira participação efetiva de Nacho.

Mas justamente no momento em que a equipe de Cuca parecia enfim se impor, uma saída rápida do time celeste encontrou o trabalho perfeito de Sóbis como pivô encaixando o passe para a infiltração de Aírton em diagonal a partir da esquerda. Finalização precisa e o gol da vitória.

Cuca usou seu banco milionário, com Nathan, Hulk, Hyoran, Eduardo Sasha e Marrony, mas o Cruzeiro controlou bem negando espaços e ainda ganhou tempo no final com a tolice do destempero de Hulk em briga com William Pottker que culminou nas duas expulsões.

De nada adiantaram os 61% de posse e 90% de acerto nos passes. O Cruzeiro finalizou nove vezes contra oito do Galo, três a dois no alvo. Aírton foi a diferença.

Ainda escancara a distância do Galo, mesmo com alto investimento, em relação a Flamengo e Palmeiras, os grandes times do futebol brasileiro nos últimos anos. Falta identidade do jogo. Pular de Jorge Sampaoli para Cuca não é simples, menos ainda precisando adaptar a base trabalhando dentro de uma filosofia e os atletas contratados.

Sem contar a cultura de vitória nas competições nacionais e na Libertadores. Qualquer obstáculo mais duro vem intimidando o Galo. Até o grande rival Cruzeiro, que se superou no clássico e vai construindo uma campanha de recuperação no estadual. Foi o suficiente.
(Estatísticas: Footstats)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL