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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Jeitinho" vai driblar limite de técnicos. Norma deveria partir dos clubes

Domenec Torrent e Eduardo Coudet (costas) conversam antes de jogo no Beira-Rio: Inter x Flamengo - Silvio Avila/Getty images
Domenec Torrent e Eduardo Coudet (costas) conversam antes de jogo no Beira-Rio: Inter x Flamengo Imagem: Silvio Avila/Getty images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

26/03/2021 07h52

O regulamento do Brasileiro em 2021 terá uma mudança importante: os clubes só poderão demitir o treinador uma única vez. Os técnicos também só terão uma chance de pedir demissão no mesmo campeonato. Caso haja a segunda dispensa, um auxiliar ou treinador das divisões de base, se estiver no clube há mais de seis meses, assume até o fim da competição.

O texto ainda não está pronto, mas ele terá que ser muito bem amarrado para não deixar brechas. Na prática, é uma imposição e isso, no Brasil, não costuma funcionar porque estimula a criatividade para burlar a regra. Já dá para vislumbrar clubes fazendo acordos para que os treinadores oficialmente comuniquem que pediram demissão - obviamente, caso estes ainda possam assumir outro trabalho. Ou contratem um técnico como "coordenador" e o auxiliar apenas assine a súmula. O velho "jeitinho"...

Não adianta muito forçar trabalhos a longo prazo no país sem calendário que preveja uma pré-temporada decente, menos partidas de estaduais e respeito às datas FIFA. Ou alguém duvida que haverá técnico demitido ou muito pressionado porque o time caiu de produção com os desfalques por convocações? Se nada mudar nos calendários de FIFA e Conmebol, serão 19 jogos com esse tipo de interferência. Um turno inteiro!

A regra deveria partir dos clubes. Por convicção. Critério na contratação para não demitir por qualquer sequência de resultados negativos. O clube tem escola ou cultura de futebol? Se sim, o treinador se adequa a ela? A proposta de jogo encaixa nas características do elenco? Como é a gestão de grupo? Os atletas funcionam melhor com cobrança rígida ou um líder mais maleável? Se o clube precisa trocar mais de uma vez, o dirigente é que tem que ser questionado.

Na última edição, apenas os rebaixados Botafogo, Coritiba, Goiás e Vasco teriam ficado de fora dessa nova regra. O Fortaleza teve três treinadores, mas a primeira troca foi em função da saída de Rogério Ceni para o Flamengo. Primeiro Marcelo Chamusca, depois Enderson Moreira.

A tendência é que haja muitas trocas de técnicos pouco antes do Brasileiro. Talvez em todos, menos nos campeões estaduais. Quem sabe até nesses...Só não vai resolver o problema da instabilidade. A CBF ataca o sintoma e não a causa da "doença", que está na estrutura federativa que incha estaduais e inviabiliza qualquer trabalho com bases sólidas para durar. A "tentativa e erro" seguirá imperando.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL