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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Miguel Ángel Ramírez no Inter: técnico certo, mas talvez no momento errado

Miguel Ángel Ramírez, treinador do Inter, e Paulo Bracks, executivo de futebol do Inter - Ricardo Duarte/SC Internacional
Miguel Ángel Ramírez, treinador do Inter, e Paulo Bracks, executivo de futebol do Inter Imagem: Ricardo Duarte/SC Internacional
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

05/03/2021 07h45

O Internacional empatou fora de casa com o Pelotas por 2 a 2 na segunda rodada do estadual. Time de jovens comandado por Fabio Matias, técnico do sub-20 campeão da Copa São Paulo no ano passado. Com destaque para os meio-campistas Johnny, o que tem mais experiência entre os profissionais, e Lucas Ramos, além do atacante Guilherme Pato. Com quatro pontos, o time é terceiro colocado na competição.

Mas as atenções já estão voltadas para o novo comandante: Miguel Ángel Ramírez. O espanhol campeão da Copa Sul-Americana em 2019 com o Independiente Del Valle. Apenas 36 anos e história particularíssima e precoce: com menos de 20 anos já treinava as categorias de base do Las Palmas. Depois Alavés, passando por clubes gregos e trabalhando por seis anos da Aspire Academy, que desenvolve o futebol no Qatar.

Na parceria entre a Academia e Del Valle, foi comandar as divisões de base e virou treinador do time principal. É adepto do jogo de posição, tema sempre controverso e pouco entendido no Brasil, e sabe trabalhar com jovens, identificando potencial e desenvolvendo dentro da linha de trabalho. É proposta que precisa de tempo e respaldo.

Tudo que Eduardo Coudet não teve como esperava e merecia em Porto Alegre. Bastou uma derrota no primeiro Gre-Nal e já começou a ser alvo de questionamentos e olhares tortos. Mesmo correndo contra o tempo para entregar nível competitivo em fevereiro, na disputa das fases preliminares da Libertadores. Colocou o time na liderança do Brasileiro, mas o importante era vencer o grande clássico gaúcho. Cansou e foi para o Celta de Vigo.

Ramírez recebe a paz da vaga garantida na fase de grupos do torneio continental, mas terá um problema adicional: a sombra de Abel Braga, ídolo eterno do clube e que ficou a um ponto, ou a um gol contra o Corinthians no Beira-Rio, de levar o time ao título brasileiro que não conquista desde 1979. Muita vivência, estilo "paizão", método de trabalho intuitivo e que simplifica processos. Resultadismo na veia e preferência pelo jogo mais reativo. O tal "técnico raiz". E o mais importante: venceu o Gre-Nal...

Haverá paciência em temporada ainda mais atropelada? Como desenvolver uma ideia complexa de futebol sem tempo? E se Ramírez perder o primeiro Gre-Nal? Como será a repercussão na imprensa gaúcha e entre os influenciadores colorados, especialmente o do famoso meme "Abelão cheio de paixão"?

O Internacional pensa no futuro, já mapeando reforços no mercado sul-americano e encaminhando a contratação de Gustavo Grossi, ex-diretor esportivo do River Plate, para ser gerente geral das divisões de base. Iniciativas inteligentes e promissoras, tanto quanto a contratação de Ramírez.

Mas o espanhol parece o treinador certo no momento errado. Isso se o futebol não parar por causa do agravamento da pandemia e interromper o trabalho já no início. Tudo muito nebuloso para quem depende de alguma estabilidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL