PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

São Paulo de Crespo deve ir além do "fetiche" por três zagueiros

Gabriel Sara, do São Paulo, comemora gol contra a Inter de Limeira - Divulgação/São Paulo
Gabriel Sara, do São Paulo, comemora gol contra a Inter de Limeira Imagem: Divulgação/São Paulo
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

04/03/2021 08h32

Na vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo, na rodada final do Brasileiro, o mérito por desempenho e resultado do São Paulo, na visão de muita gente ligada ao clube, foi menos do interino Marcos Vizolli e mais de Muricy Ramalho, novo coordenador de futebol.

Tudo por conta da formação com três zagueiros, que era a base do desenho tático da equipe tricampeão brasileira comandada pelo próprio Muricy, hoje dirigente. A formação, com Diego Costa, Arboleda e Bruno Alves no miolo da retaguarda, muitas vezes em uma linha de cinco com os alas Igor Vinicius e Welington, deixou a impressão de maior solidez defensiva, principalmente em relação aos problemas dos tempos de Fernando Diniz. Mesmo que o Flamengo, em péssima atuação, tenha conseguido finalizar 20 vezes.

Hernán Crespo, adepto de variações táticas e certamente um treinador observador, percebeu o "clima" e manteve o sistema com três zagueiros, porém com mudanças na proposta. Na estreia, empate por 1 a 1 com o Botafogo-SP no Morumbi, trabalhou com Daniel Alves na base da saída de bola à frente dos defensores - Arboleda, Bruno Alves e Leo.

Já nos 4 a 0 sobre a Internacional em Limeira, Luan voltou à equipe no lugar de Igor Gomes, com maior liberdade para Daniel Alves. Certamente um volante mais típico à frente dos três zagueiros deve ter encantado ainda mais os são-paulinos obcecados por força na marcação.

Mas a equipe apresentou também um início de mudança nas ideias ofensivas, mesmo sem tempo para treinar. E relativizando as fragilidades do time da casa, ainda mais depois da expulsão do volante Thiaguinho no final do primeiro tempo. Maior fluência pelos lados, com os alas Igor Vinícius e Reinaldo. Também a insistência de Crespo para que a área adversária esteja sempre "povoada".

Gabriel Sara, que completou o meio-campo com Luan e Dani Alves, aproveitou a sua chance. Assim como Luciano e Pablo, a dupla de ataque que se apresenta para as finalizações - foram 16 no total, cinco na direção da meta adversária. Mas também se alternam no suporte às jogadas pelos flancos. É princípio de jogo de Crespo.

Por isso a contratação de Orejuela, entregando força e velocidade com ala. E a volta de João Rojas, já com oportunidade de estar em campo. Aberto pela direita, serviu Luciano no terceiro gol. E converteu o pênalti sofrido por Igor Vinícius no tento que fechou o placar. O equatoriano deve ganhar novas oportunidades.

É óbvio que ajustes são necessários. A Internacional finalizou oito vezes, três no alvo. Tiago Volpi salvou grande chance de Lucas Batatinha. O grande desafio continua sendo manter a consistência no rendimento e formar um time mentalmente mais forte. Sem tantas oscilações, desmanchando nas adversidades. A possível contratação de Miranda, mesmo em um contrato por produtividade, pode ajudar nesse processo.

A manutenção dos três zagueiros deve ser convicção de Crespo - e parece ser mesmo. Mas é inegável que agrada e aumenta o otimismo no Morumbi. Quase um "fetiche".

(Estatísticas: SofaScore)

Conheça meu canal no Youtube

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL