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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Atlético achou que encarava o Bayern. Lazio pensou que rival era o Chelsea

Robert Lewandowski comemora gol do Bayern de Munique sobre a Lazio pela Liga dos Campeões - Giampiero Sposito/Getty Images
Robert Lewandowski comemora gol do Bayern de Munique sobre a Lazio pela Liga dos Campeões Imagem: Giampiero Sposito/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

23/02/2021 19h19

Linha de seis na defesa foi a "surpresa" de Diego Simeone para enfrentar o Chelsea na ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. Mesmo considerando o contexto difícil de mandar o jogo em Bucareste por conta da restrição da entrada de ingleses em território espanhol por causa da pandemia, não era a postura que se esperava do Atlético de Madri, líder absoluto da liga espanhola.

Parecia que enfrentava o Bayern de Munique dos seis títulos nos últimos 12 meses. Mas não era o melhor time da Europa e do planeta do outro lado. Era a equipe de Thomas Tuchel, ainda buscando implementar um modelo de jogo com mais intensidade e versatilidade dos atletas. Como Azpilicueta, novamente alternando como lateral direito e terceiro zagueiro, deixando Hudson-Odoi fazendo todo corredor: ora como ala, ora como meia.

Na frente, mobilidade de Mason Mount e Timo Werner, mais Giroud na referência. Muitas vezes sacrificado no meio dos zagueiros Savic e Felipe. Protegidos por Llorente, este improvisado na lateral direita, e Hermoso. Formando uma linha de quatro bem estreita, permitindo que os pontas Correa e Lemar recuassem como laterais, completando a tal linha de seis. Mais Koke e Saúl Ñiguez na proteção e João Félix sacrificado ao voltar demais, isolando Luis Suárez.

Para quê? Evitar o gol "qualificado" dos Blues para tentar marcá-lo como visitante? Difícil entender.

A punição veio com requintes de crueldade: disputa na área colchonera, toque de Hermoso deixando Giroud em condição legal para marcar um gol sensacional de bicicleta. O único da partida, mesmo com a mudança radical de postura do Atlético depois de ficar em desvantagem. Com Renan Lodi, Torreira, Vitolo e Dembele. Mais coragem, porém zero criatividade.

Apenas seis finalizações, nenhuma no alvo. Com 41% de posse e 73% de efetividade nos passes. Contra 11 do Chelsea, seis na direção da meta de Oblak. O Chelsea quis mais e volta para casa com fantástico resultado. E a consciência tranquila de ter feito o melhor, buscando a vitória desde o início.

Já em Roma, a Lazio de Simone Inzaghi até escalou três zagueiros para conter o atual campeão europeu. Mas foi justamente o trio de defensores que contribuíram ativamente para a construção dos 4 a 1 que praticamente resolvem o confronto.

Musacchio, o zagueiro pela esquerda, simplesmente entregou um recuo nos pés de Lewandowski. "Apenas" o melhor do mundo, artilheiro do continente e agora o terceiro maior goleador da história da Champions, com 72 gols. O gol foi a senha para o time italiano, por necessidade, ser obrigado a adiantar as linhas. Tentando acelerar os ataques com Luis Alberto se aproximando de Immobile e Correa.

Mas se expondo e errando demais, como se estivesse enfrentando um time comum. Ou uma equipe buscando afirmação, como o Chelsea. Só podia pagar muito caro.

Falha grotesca de Patric, o defensor pela direita, transição em alta velocidade de Coman, que finalizou e, no rebote, Leroy Sané marcou o terceiro. O segundo foi mérito de uma revelação que ganhou a chance de substituir Thomas Müller: Musiala, de 17 anos, Fazendo a função de meia central do 4-2-3-1, à frente de Goretzka e Kimmich. Com uma companhia tão qualificada fica fácil jogar. E finalizar com precisão no canto direito de Pepe Reina.

Com 3 a 0, o ritmo foi menos intenso. Mas houve tempo para o equívoco do terceiro zagueiro da Lazio: Acerbi marcou contra em mais um contragolpe dos bávaros. Disparada de Sané desde o campo do Bayern. Espaços à vontade para acelerar. A Lazio tentou, finalizou 14 vezes, cinco no alvo. Conseguiu evitar os vexatórios 7 a 1 que a Roma, grande rival da Lazio, levou em 2014. Mas a classificação fica praticamente impossível, mesmo com Correa diminuindo o estrago.

A terça de Champions foi de uma espécie de "ilusão de ótica". O Atlético achou que encarava o Bayern e a Lazio pensou que o rival era o Chelsea. Deve custar as vagas nas quartas da Champions.

(Estatísticas: UEFA.com)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL