PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Manchester City vence de todas as maneiras e dispara na Premier League

Bernardo Silva marcou o terceiro gol do Manchester City - MICHAEL REGAN/AFP
Bernardo Silva marcou o terceiro gol do Manchester City Imagem: MICHAEL REGAN/AFP
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

17/02/2021 19h20

Pep Guardiola não tinha Gundogan, por lesão na virilha, e Kevin De Bruyne iniciou e permaneceu no banco de reservas até os 34 minutos do segundo tempo contra o Everton em Liverpool, no jogo adiado da 16ª rodada por surto de Covid-19.

No contexto da atual temporada, com o Manchester City cuidadoso e sabendo jogar de acordo com as circunstâncias, mais adaptável e menos insistente para impor sua proposta, imaginava-se um time visitante recuando as linhas e apostando em rápidas transições ofensivas.

Ledo engano. Guardiola optou por um 4-3-3 ultraofensivo, com Phil Foden vindo para o meio-campo na vaga de Gundogan, ao lado de Bernardo Silva, e Mahrez entrando na ponta direita, formando ataque com Gabriel Jesus e Sterling. Walker voltou na lateral direita, invertendo o lado de João Cancelo e Zinchenko ficando no banco.

Desde o primeiro minuto empurrando para trás o 4-4-2 da equipe de Carlo Ancelotti, que deixou James Rodríguez no banco e não contou, mais uma vez, com o lesionado artilheiro Calvert-Lewin. A solução foi compactar duas linhas de quatro e Sigurdsson tentar acionar Richarlison.

Problema era conter o volume dos citizens. Com muita mobilidade de Gabriel Jesus, buscando os dois lados. Foden e Sterling alternando na busca do fundo pela esquerda e Cancelo apoiando quase sempre por dentro. Do lado oposto, os canhotos Bernardo Silva e Mahrez cortando para o meio e Walker passando no corredor.

Assim abriu o placar com Foden, em chute que desviou em Coleman, substituto de Yerri Mina, por lesão, aos 17 minutos de jogo. E manteve o domínio mesmo depois do empate, com Richarlison completando rebote da trave do chute de Digne. Terminou o primeiro tempo com 69% de posse, nove a dois em finalizações - quatro a um no alvo.

Na volta do intervalo, nenhuma mudança na estratégia. Pressão no campo de ataque, posse objetiva (subiu para 71%) e time instalado no campo de ataque. Permitiu apenas mais uma conclusão do Everton. E finalizou mais sete, três na direção da meta do goleiro Pickford. Duas nas redes, com Bernardo Silva e Mahrez. Circulando a bola com rapidez, sem diminuir o ritmo. Ainda serviu para De Bruyne voltar e se apresentar como mais uma opção qualificada. Ancelotti mandou James a campo no lugar de Davies, mas não havia muito a fazer.

Com os 3 a 1 no Goodison Park, o City chega ao feito inédito de alcançar a décima vitória seguida em um início de ano. Agora são 17 seguidas em todas as competições. Ainda abre dez pontos na liderança e encara o Arsenal em Londres antes de voltar à Champions contra o Borussia Monchengladbach. Constroi gordura na liga para buscar todos os títulos, já que segue vivo também nas copas nacionais.

Vencendo de todas as maneiras, independentemente da escalação, e potencializando os talentos pelo fantástico trabalho coletivo, o City alia competição e espetáculo na medida certa para recuperar o domínio na Inglaterra e buscar o sonho europeu. Com Guardiola mais flexível e ainda genial, tudo parece mais possível.

(Estatísticas: BBC)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL