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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Flamengo chega à reta final com chances de titulo, mas ainda uma incógnita

Jogadores do Flamengo comemoram gol marcado por Willian Arão contra o Corinthians, no Maracanã, no Brasileirão 2020 - Fernando Soutello/AGIF
Jogadores do Flamengo comemoram gol marcado por Willian Arão contra o Corinthians, no Maracanã, no Brasileirão 2020 Imagem: Fernando Soutello/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

15/02/2021 08h20

O Flamengo iniciou o Brasileiro em agosto ainda como favorito, embora não absoluto como seria se Jorge Jesus tivesse permanecido no clube. Chegou a estar no Z-4 nas três primeiras rodadas, com o início conturbado sob o comando de Domènec Torrent.

Recuperação com quatro vitórias seguidas e o time dando a impressão de que começava a entender os conceitos do treinador. Até tudo parecer desmoronar na derrota para o Ceará em Fortaleza, com o tão contestado rodízio, e, principalmente, nos 5 a 0 impostos pelo Independiente Del Valle na Libertadores.

Veio o surto de Covid-19 no Equador, a obrigação de utilizar jovens da base, que gerou "descobertas" como Hugo, Natan e Ramon e a sequência invicta de 12 partidas que classificou o time para as quartas da Copa do Brasil, colocou na liderança do grupo da Libertadores e brigando pela ponta no Brasileiro.

No momento de afirmação, com sequência contra Internacional, São Paulo e Atlético Mineiro, apenas um ponto conquistado e duas goleadas que custaram o emprego de Domènec Torrent. Veio Ceni, com discurso de resgatar o estilo de Jorge Jesus da "memória" dos jogadores. Mas as muitas ausências, causadas também por mudanças no departamento médico e a sequência pesada de jogos resultaram em eliminações no mata-mata.

Quando o time ficou mais completo e houve tempo para treinar, o time oscilou forte. Parecia descartado na luta pelo bi quando empatou sem gols com o Fortaleza e perdeu para Ceará e Fluminense no Maracanã. Veio novo despertar, a partir do segundo tempo contra o Grêmio. Com mudança tática e retomada da intensidade perdida. Triunfos sobre o próprio time gaúcho, Sport, Vasco e um empate fora de casa com o Bragantino que pareceu ruim, mas ao final da rodada deixou o time a apenas um ponto do líder Internacional.

De novo dependendo só de si, com uma semana de preparação para encarar o Corinthians, que levou de cinco em Itaquera no melhor momento do Fla com Dome. Mais uma oscilação em desempenho, com o time menos móvel e sofrendo para infiltrar nas linhas compactas da equipe de Vagner Mancini, escaldada não só pela goleada imposta pelos rubro-negros, mas também pelos 4 a 0 que levou do rival Palmeiras há quase um mês.

Pressão até abrir o placar, com Willian Arão em cobrança de falta de Arrascaeta. Depois a tentativa frustrada de controlar o jogo e o calor no Rio de Janeiro com posse de bola. Diego Ribas errou, passe nas costas de Arão e gol de Léo Natel. Foi a senha para uma posse de bola sem profundidade, com Bruno Henrique voltando a atuar aberto pela esquerda para compensar o posicionamento mais conservador de Filipe Luís. Sem pressão forte no campo de ataque e mobilidade para gerar o caos, o Flamengo é previsível.

Mas cumpriu a missão de somar três pontos com o gol de Gabigol, assinalado com auxílio do VAR. Teve chances de ampliar com os espaços cedidos pela necessidade de atacar e também pelo desgaste do adversário. Terminou com 66% de posse, 85% de efetividade nos passes, 14 finalizações a 11, cinco a três no alvo. O time foi e é melhor que o Corinthians.

É melhor também que o Internacional e seria o favorito natural para o duelo decisivo do próximo domingo. Longe de ser "final antecipada", até porque o São Paulo, surpreendentemente, voltou à disputa com a inesperada virada sobre o Grêmio em Porto Alegre por 2 a 1. Se vencer o rebaixado Botafogo e o Palmeiras com a cabeça na Copa do Brasil, chega na última rodada com chances de título se houver empate entre Fla e Inter.

Um campeonato de idas e vindas, oscilações acima do normal pela temporada atípica. Nenhuma equipe confirmando favoritismo quando realmente testada. Só neste cenário para o Flamengo viver três crises sérias, nunca ocupar a liderança e ainda disputar o título. Não deixa, porém, de ser uma grande incógnita para encarar o Colorado de Abel Braga.

Como será no calor carioca? Quem vai se arriscar adiantando a marcação e pressionando? Flamengo e Internacional, este em São Januário contra o Vasco, aguentaram por cerca de dez minutos, até irem às redes. Desde Vasco x São Caetano em 2000, o Maracanã não sedia um jogo valendo título nacional no auge do verão.

O Internacional virá com a zaga reserva, por conta da suspensão de Victor Cuesta, além da lesão de Rodrigo Moledo, porém terá o retorno de Patrick. O Flamengo tem Rodrigo Caio, Gerson, Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique jogando com dores. Todos no limite físico precisando entregar tudo na reta final.

Rogério Ceni talvez opte pelo recuo de Willian Arão e a entrada de Gustavo Henrique na zaga para aumentar a estatura e se defender do jogo aéreo do oponente. Mas a grande questão é como vai furar as linhas do compacto 4-1-4-1 de Abel com concentração defensiva absoluta. Pode atropelar, se complicar ou arrancar uma vitória sofrida no final. Todos os cenários são possíveis para este Flamengo tão inconstante. Ainda forte, com a maior reunião de talentos em um clube brasileiro. Mas um enorme ponto de interrogação que já dura 36 rodadas.

"Como será amanhã? Responda quem puder."

Errata: o texto foi atualizado
O São Paulo venceu o Grêmio por 2 a 1, não 4 a 1.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL