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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Internacional mantém a ponta, mas não precisava sofrer tanto. Vasco afunda

André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

14/02/2021 18h34

Quando abriu o placar com Rodrigo Dourado na jogada aérea com bola parada, aos nove minutos em São Januário, o Internacional já tinha quatro finalizações. Com linhas adiantadas e pressionando no campo do Vasco. Sem o suspenso Patrick, Abel Braga inverteu o lado de Caio Vidal e posicionou Mauricio aberto pela direita no mesmo 4-1-4-1.

Fez por merecer a vantagem no placar, mas é impossível não ressaltar o absurdo da falha do VAR na calibragem das linhas que definem se houve impedimento ou condição legal. Em um jogo entre grandes decidindo título e rebaixamento. Inadmissível.

O Inter costuma ficar confortável recuando as linhas para acelerar os contragolpes, mas ficou sem escape para as transições ofensivas. Atraindo o Vasco desesperado para se livrar de mais um rebaixamento e esbarrando nas próprias limitações. A equipe de Vanderlei Luxemburgo vive basicamente dos passes de Benítez para Cano. Mas com o meia sendo obrigado a voltar demais para articular e o atacante isolado e participando pouco coletivamente, só esperando a chance de concluir.

Apenas duas finalizações cruzmaltinas, nenhuma no alvo em 45 minutos. Muito pela boa marcação do Colorado, jogando com a consciência da importância do jogo. O recuo, porém, foi excessivo na segunda etapa, com Rodrigo Lindoso na vaga de Mauricio - Edenilson foi fazer o lado direito na linha de meias para ajudar Rodinei contra Henrique e Talles Magno.

Não havia a mínima necessidade de se entrincheirar. O Vasco circulava a bola com lentidão, sem ideias. Luxemburgo tentou acelerar pela direita com Juninho no lugar de Bruno Gomes - Carlinhos foi para o meio fazer dupla de volantes no 4-2-3-1 com Léo Gil. Mas continuava difícil infiltrar.

Só que seguia rondando a área, até por necessidade. Quando o passe de Benítez enfim encontrou Cano, a disputa entre o atacante com Victor Cuesta foi interpretada como pênalti pela arbitragem, com auxílio do VAR. Mas Cano cobrou mal, para fora. O artilheiro ainda finalizaria no travessão no final, porém impedido. Fora isso, pouco apareceu.

O Vasco não abaixou a guarda, seguiu atacando. Mas o desgaste físico e emocional pesou. A ponto de Léo Gil não conseguir se mover para auxiliar no bloqueio do ataque engendrado por Peglow e Edenilson, que serviu Thiago Galhardo, de volta ao time. O 17º gol do artilheiro do Brasileiro, ao lado de Marinho e Claudinho, definiu os 2 a 0 que mantém o Internacional na ponta.

Com 36% de posse, 71% de efetividade nos passes e 16 finalizações, sete no alvo. O Inter é muito mais time que o frágil Vasco de Luxemburgo, que afunda e se complica de vez. Mas o instinto dos times de Abel é se defender com vantagem no placar, ainda mais como visitante.

Contra o Flamengo, no Maracanã, a tendência é repetir a estratégia. Até porque vai precisar de mais proteção sem Cuesta, suspenso. Abel já não contava com o lesionado Rodrigo Moledo, agora vai para a "final" com a zaga reserva. A missão colorada é complicada, mas possível. Um pouco mais de coragem pode ajudar na busca do título.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL