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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Tigres tem pouco além de Gignac para assustar o Palmeiras no Mundial

Gignac comemora gol marcado com a camisa do Tigres sobre o Ulsan pelo Mundial de Clubes - adi El Assaad - FIFA/FIFA via Getty Images
Gignac comemora gol marcado com a camisa do Tigres sobre o Ulsan pelo Mundial de Clubes Imagem: adi El Assaad - FIFA/FIFA via Getty Images
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

04/02/2021 13h16

Eram 35 minutos das quartas de final entre Tigres, que conquistou a Liga dos Campeões da Concacaf, e Ulsan Hyundai, campeão da Champions da Ásia, no Estádio Ahmad Bin Ali, em Al Rayyan, no Qatar.

O time sul-coreano superava as muitas mudanças em relação ao título continental e dominava a partida com mais intensidade, mobilidade na execução do 4-2-3-1 e eficiência na bola parada, com o gol do zagueiro Kee-hee Kim, completando bela cobrança de escanteio pela esquerda na primeira trave, aos 23 minutos.

Até Guido Pizarro sofrer falta e André-Pierre Gignac, atacante francês de 35 anos e grande estrela da equipe mexicana, bater forte para boa defesa do goleiro Hyeon-woo Jo. Também cobrou outro comportamento de seus companheiros.

Foi o suficiente para um "abafa" do Tigres em sequência de escanteios. Primeiro em cabeçada de Pizarro após cruzamento do brasileiro Rafael Carioca para defesa do goleiro. Depois o desvio na primeira trave que fez a bola chegar ao próprio Gignac para empatar.

Despertando a equipe do brasileiro Tuca Ferretti, que passou a circular a bola com mais agilidade, com Rafael Carioca "carimbando" desde a defesa. Rápida transição defensiva com perde-pressiona no 4-2-3-1 adaptado por conta da ausência de Carlos González, atacante que faz dupla com Gignac no 4-4-2 habitual. Pelas pontas, Luís Quiñones e Javier Aquino buscavam as vitórias pessoais para chegar ao fundo.

A virada veio no pênalti assinalado com auxílio do VAR por toque no braço do defensor do Ulsan e Gignac decretou a virada que não refletia exatamente o que tinha sido o jogo até ali, mas se justificava pela maior qualidade do Tigres, especialmente de sua estrela máxima, que liderou e foi decisivo concretizando a virada.

No segundo tempo, a entrada de Carlos González no lugar do zagueiro Meza. Salcedo saiu da lateral esquerda e foi para a zaga e Jesús Dueñas deixou o meio-campo e foi ocupar o setor esquerdo, com Pizarro recuando para formar a dupla de meio-campistas por dentro com Rafael Carioca.

Foi o suficiente para cadenciar e controlar o jogo negando espaços e sem sofrer maiores sustos. Fulgencio entrou na vaga de Aquino e tentou acelerar as transições ofensivas pela esquerda, mas faltou qualidade e boas decisões no acabamento das jogadas. O time de Ferretti foi beneficiado pela falta de criatividade dos sul-coreanos.

O Tigres terminou com 53% de posse, 86% de precisão nos passes, 13 finalizações a cinco, seis a quatro no alvo. Dez finalizações de dentro da área. Foi mais time e está na semifinal.

O que pode preocupar o Palmeiras para a semifinal no domingo? A tendência é o time mexicano entrar mais adaptado ao fuso e à competição. Mais leve também, já que a obrigação do campeão da Concacaf é passar até cruzar com o campeão da Libertadores ou da Liga dos Campeões da Europa.

O Tigres pode ser mais intenso e adiantar a marcação ou tentar controlar com passes curtos e novamente tirando a velocidade do jogo. Pressionar Rafael Carioca pode ser uma bola solução para evitar essa administração da posse. No mais é bloquear a criação pelos lados e, principalmente, a mobilidade de Gignac. Se jogar com González, o francês deve procurar os espaços às costas dos volantes palmeirenses, provavelmente Danilo e Zé Rafael.

Perigoso, mas nada muito especial e Abel Ferreira pode fazer mais uma vez sua equipe adaptada ao adversário. A última linha defensiva mexicana não é rápida, o que deve ser interessante para Rony e Luiz Adriano. Assim como o jogo aéreo, com bola parada ou rolando.

O grande obstáculo do Palmeiras será mesmo a tensão da estreia, o que sempre acontece com o campeão sul-americano. Ainda mais com tantos jovens diante de um time com média de idade acima dos 30 anos.

Mas com a cabeça no lugar e atenção com Gignac, o Palmeiras tem o caminho pavimentado para encarar o Bayern de Munique na tão sonhada final do Mundial, grande obsessão do clube.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL