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André Rocha

Palmeiras pode vencer final no "Cucabol" e Santos com Marinho contra Viña

Marinho e Willian se cumprimentam antes de Santos x Palmeiras pelo Brasileirão 2020 - Fernanda Luz/AGIF
Marinho e Willian se cumprimentam antes de Santos x Palmeiras pelo Brasileirão 2020 Imagem: Fernanda Luz/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

28/01/2021 09h14

A decisão em jogo único e campo neutro tem contexto muito específico. Nenhum time está 100% confortável e não há possibilidade de empurrar a definição para uma segunda partida, como tantas vezes aconteceu quando era em ida e volta. No caso da Libertadores, o duelo entre Flamengo e River Plate no ano passado em Lima deixou claro que o componente emocional pode resolver a parada.

A pandemia muda o cenário pela falta das torcidas no Maracanã para esse histórico Palmeiras x Santos. Primeira final entre times brasileiros do mesmo estado. O confronto entre as equipes de melhor campanha desde a fase de grupos.

Se for um duelo mais tático e estratégico que mental, os treinadores Abel Ferreira e Cuca têm suas armas e também possibilidades de tentar surpreender o oponente. Inclusive com movimentos sem fazer alterações.

Como Gabriel Menino novamente recuando como lateral para centralizar Marcos Rocha junto com Luan e Gustavo Gómez. Linha de cinco para se defender melhor contra o quarteto ofensivo do Santos, que é muito agressivo e preenche a área adversária para finalizar.

Marinho deve receber atenção especial. Considerando os 2 a 2 na Vila Belmiro pelo Brasileiro, o ponteiro canhoto aberto pela direita foi às redes decretando o placar final e também criou muitos problemas no confronto direto com Viña. Não só pela fase espetacular do santista, com quatro gols e uma assistência no torneio continental, mas também pela movimentação no setor.

Com Pará apoiando e Kaio Jorge, em tese o centroavante, também aparecendo pelo lado. A cobertura de Gómez e o suporte de Zé Rafael e, provavelmente, Rony serão fundamentais.

Mas há muita mobilidade no ataque de Cuca, com Lucas Braga circulando por todos os setores. Pode cair pelos flancos, permitindo que Marinho ou Soteldo apareça mais por dentro. Ou entrar na referência para Kaio Jorge circular. E ainda conta com Diego Pituca aparecendo como elemento surpresa. Como no gol que abriu o placar no último confronto.

O empate na Vila também sinaliza uma possibilidade para o Palmeiras encurtar o caminho para o título em disputa tão tensa: a bola parada. Assim marcou dois gols e perdeu grande oportunidade antes de ir às redes pela primeira vez. Sempre cobrando escanteio pela esquerda com desvio na primeira trave para algum companheiro infiltrando na segunda.

Primeiro Lucas Braga salvou antes de Willian finalizar, depois o pênalti polêmico em toque de Lucas Veríssimo e depois o gol do "Bigode" que decretou a virada alviverde àquela altura da partida. Considerando as dificuldades santistas no jogo aéreo pode ser uma arma importante.

E não deixaria de ser uma ironia o treinador do Santos sofrer com uma espécie de resgate do "Cucabol" no Palmeiras campeão brasileiro de 2016. Aliás, Abel Ferreira também aproveita eventualmente as cobranças de lateral de Marcos Rocha diretamente na área adversária. Simplificando para chegar com mais força no ataque.

Há possibilidade de mudanças tornando os times mais cuidadosos no trabalho sem bola. Além da dúvida de Alison, que precisa testar negativo para Covid-19 para ser liberado, Cuca pode tirar Lucas Braga e escalar Sandry reforçando o meio-campo num 4-3-3. O mesmo vale para Abel, que tem Patrick de Paula recuperado e tem a chance de reeditar a dupla com Danilo à frente da defesa na vitória por 3 a 0 sobre o River Plate em Avellaneda. Raphael Veiga sairia do time.

São dois times que optam por um jogo mais direto, mas também sabendo circular a bola com paciência esperando o momento de atacar a última linha do rival. Ou movendo as peças para criar espaços. Quem tomará a iniciativa no Maracanã?

Questões para uma grande final, entre as duas melhores equipes desta edição do torneio continental. De ponta a ponta. Sem favoritos.