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André Rocha

Vitórias sobre grandes e Claudinho artilheiro afirmam projeto RB Bragantino

Claudinho e jogadores do RB Bragantino comemora segundo gol marcado contra o Corinthians - Ettore Chiereguini/AGIF
Claudinho e jogadores do RB Bragantino comemora segundo gol marcado contra o Corinthians Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

25/01/2021 22h01

Mauricio Barbieri assumiu o Red Bull Bragantino, sucedendo Felipe Conceição, na oitava rodada do Brasileiro. Estreou com derrota para o Palmeiras por 2 a 1 e fechou o turno na 18ª colocação. Valeu a paciência da direção com o treinador e a recuperação nas últimas rodadas impressiona.

Goleadas sobre São Paulo e Vasco, 2 a 1 sobre o Ceará em Fortaleza e o Galo salvando um empate com pênalti no final em Bragança Paulista. Agora os 2 a 0 sobre o Corinthians na Neo Química Arena. Para ficar no topo da segunda página da tabela e ficar a um ponto do Ceará, oitavo colocado. No cenário ideal, o G-6 vira G-8 com títulos do Palmeiras na Libertadores e Grêmio na Copa do Brasil e a meta inicial de se manter na Série A em sua primeira temporada é cumprida com uma última vaga na Libertadores.

A esperança está na notável evolução coletiva, com proposta ofensiva, sabendo trabalhar a bola ou fazer um jogo mais direto. No desenho tático, um 4-2-3-1 que dá liberdade total a Claudinho, muitas vezes com Ytalo, referência na frente, ajudando defensivamente para "descansar" o camisa 10 do "Massa Bruta".

Mas a versatilidade chama a atenção. Os laterais Aderlan e Edimar podem atacar por dentro ou abertos, alternando com os ponteiros Artur e Helinho, que aceleram pelos flancos e também são fortes nos duelos com os marcadores. Por dentro, Raul e Ryller atuam como meio-campistas, de área a área, também em revezamento - um desce, outro fica. Muita intensidade, pressão no adversário com a bola, atenção da última linha nos movimentos de bola coberta ou descoberta.

É bem provável que o craque do Brasileirão 2020 seja o grande destaque do campeão. Mas é difícil encontrar alguém que seja mais desequilibrante que Claudinho na competição. Agora são 16 gols, igualando Marinho e Galhardo. Mais cinco assistências, inclusive o passe para Helinho abrir o placar em Itaquera. Pressão alta induzindo o Corinthians a sair pela esquerda, bola roubada, passe do camisa 10, sempre se movimentando às costas dos volantes adversários, e gol do ponteiro pela esquerda. Cássio aceitou.

Vantagem que condicionou a partida e deu ainda mais confiança para um time em alta nesta reta final. Que também pode ser "fiel da balança" nas próximas rodadas, contra o Internacional no Beira-Rio na 33ª e Flamengo, em Bragança, pela 35ª. Mas é injusto relegar o trabalho da Red Bull no Brasil a uma simples "pedra no sapato".

O projeto global se afirma e é ambicioso. Claudinho pode parar até no Leipzig, ponta de lança da empresa no futebol mundial. Enquanto atua por aqui, o meia talentoso vai fazendo a diferença para a equipe de Mauricio Barbieri. No nível achatado desta edição atípica, é um raro time bom de se ver jogar.