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André Rocha

Luxemburgo faz bem o simples para a missão "mais do mesmo" no Vasco

Jogadores do Vasco comemoram gol diante do Atlético-MG -  MAGA JR/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO
Jogadores do Vasco comemoram gol diante do Atlético-MG Imagem: MAGA JR/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/01/2021 08h44

Vanderlei Luxemburgo voltou ao Vasco como o "bombeiro" da vez. A tarefa é a mesma dos últimos anos: evitar o rebaixamento que seria o quarto da história do clube. Mas desta vez sem manter as cotas de TV no nível de Série A, o que seria um desastre para os combalidos cofres cruzmaltinos.

O treinador bateu no teto atual em seu trabalho no Palmeiras. Campeão paulista nos pênaltis contra o Corinthians, depois de uma final de baixíssimo nível técnico, melhor campanha na Libertadores em um grupo fácil. Mas na hora de ser competitivo nos pontos corridos contra as melhores equipes do país, sucumbiu vergonhosamente.

Em São Januário, a expectativa é baixa. O cenário fica confortável para Luxemburgo colocar seu carisma, sua experiência, a autoridade do passado vencedor e a capacidade atual de montar equipes reativas.

Nos 3 a 2 sobre o Atlético Mineiro, o time correu riscos. Aceitou a pressão inicial do Galo e poderia ter saído atrás caso Hyoran tivesse convertido o pênalti aos 14 minutos do primeiro tempo. Chute no pé da trave de Fernando Miguel. O contexto seria outro com a necessidade de atacar.

Tudo clareou três minutos depois com o gol de Gérman Cano. O Vasco se fechou com duas linhas de quatro compactas, ora com Bruno Gomes mais fixo em um 4-1-4-1, ora com Benítez mais liberado para articular no 4-2-3-1. Forte pela direita com Léo Matos e Yago Pikachu nas costas de Guilherme Arana e a cobertura atrasada de Junior Alonso. Assim saiu o segundo gol, de Pikachu.

Na segunda etapa, a pintura do terceiro gol. 14 passes com a participação de oito jogadores. Benítez, em especial. O argentino carimbou a bola vindo da direita para a esquerda até servir Cano, em mais uma bela finalização do argentino. Esgarçado mentalmente, o time mineiro assistiu à bela combinação desde o tiro de meta de Fernando Miguel.

Parecia a senha para uma goleada, porém o Vasco cansou. Mesmo sem intensidade e capacidade de furar as linhas de marcação, a proposta de Sampaoli castiga o rival fisicamente. E o treinador argentino conta com opções mais qualificadas no banco. Diminuiu a vantagem com Hyoran e Eduardo Sasha e pressionou até o apito final. O pênalti desperdiçado no início do jogo pesou mais que o esperado.

Mas o Vasco trabalhou bem para merecer a vitória que tirou o time do Z-4 depois das derrotas para Coritiba e Red Bull Bragantino. Dentro de sua proposta, teve 25% de posse, 73% de efetividade nos passes, seis finalizações, três no alvo que entraram. Eficiência, mas também a sorte necessária em um campeonato tão maluco e de nível técnico achatado.

Depois do jogo, muitos memes e brincadeiras com o triunfo de Luxemburgo sobre Sampaoli. O treinador do Galo não vem merecendo elogios com uma campanha irregular dentro de contexto favorável: elenco reforçado, estrutura e tempo para trabalhar. Não pode oscilar tanto, mesmo com o surto recente de Covid. Ainda que não tenha jogadores com tanta capacidade de desequilibrar jogos, como Marinho, Soteldo e Carlos Sánchez no Santos, o elenco é homogêneo e deveria entregar bem mais.

Para complicar, Sampaoli ainda cria problemas à beira do campo, como discutir com o treinador adversário, atrapalhar o jogo na linha lateral e ficar histérico com a arbitragem. Ainda sem se esforçar para aprender o idioma do país em que trabalha. Difícil cativar a simpatia, ainda mais para um estrangeiro que, só por isso, já é obrigado a enfrentar vários narizes torcidos no Brasil.

Luxemburgo agrada mais o público em geral. É "raiz", engraçado com suas metáforas, mesmo as mais bizarras. E assim vai tirando o Vasco da "zona da confusão". Escalando e dando confiança aos mais qualificados do elenco, como Bruno Gomes, Léo Gil, Pikachu e Talles Magno. Refazendo a conexão Benítez-Cano para ir às redes com mais frequência.

São sete pontos em cinco jogos. Aproveitamento de quase 50%. Nada demais, mas suficiente para a missão "mais do mesmo" em São Januário. Fazendo bem o simples, a meta deve ser alcançada sem maiores sustos.

(Estatísticas: SofaScore)