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André Rocha

Vasco vacila, "achata" o Z-4 e pode deixar Brasileiro ainda mais maluco

Benítez em seu retorno ao Vasco após renovação de empréstimo junto ao Independiente, no jogo contra o Coritiba - Thiago Ribeiro/AGIF
Benítez em seu retorno ao Vasco após renovação de empréstimo junto ao Independiente, no jogo contra o Coritiba Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

17/01/2021 08h07

A expulsão do lateral Henrique aos 29 minutos do primeiro tempo em São Januário começou a virar do avesso o jogo que parecia trilhar um caminho óbvio: afastar de vez o Vasco redivivo com Vanderlei Luxemburgo do perigo da "zona de confusão" e afundar ainda mais o Coritiba, que contratou o treinador paraguaio Gustavo Morínigo para iniciar uma reformulação já pensando na Série B.

Mas o gol de Hugo Moura, volante emprestado pelo Flamengo ao time paranaense, e um desempenho consistente tanto na postura ofensiva até abrir vantagem no placar como na organização para defender o resultado no segundo tempo podem despertar uma esperança no Coxa.

A variação de 4-3-3 para o 4-1-4-1 com o volante Nathan Silva auxiliando os zagueiros na saída de bola e os movimentos de Neilton da esquerda para dentro buscando os espaços às costas dos volantes vascaínos, abrindo o corredor para o lateral Guilherme Biro, foram sacadas interessantes do ex-técnico do Libertad.

Já o Vasco se complicou ao ser obrigado a sair do 4-1-4-1 para um básico 4-4-1 que ganhou alguma criatividade com o retorno de Benítez, de empréstimo renovado com o Independiente, mas perdeu força nas laterais com a pouca efetividade de Léo Matos pela direita e a improvisação de Yago Pikachu à esquerda.

Ainda assim fez Wilson trabalhar contra Germán Cano, especialmente no chute forte sem ângulo já nos acréscimos. A última das dez finalizações cruzmaltinas contra 13 do Coritiba, que finalizou uma a mais no alvo (4 a 3).

Com o resultado inesperado, o Z-4 ficou "achatado". O Coritiba subiu para 26 pontos, deixou a lanterna momentaneamente para o Botafogo e, mesmo com um jogo a mais, diminuiu para apenas seis pontos a distância para o Fortaleza, 16º colocado que encara o embalado Internacional no Beira-Rio.

Mas o Sport, 14º colocado, tem os mesmos 32 pontos do time cearense e já chegou aos 30 jogos com a derrota para o Fluminense por 1 a 0 no Estádio Nilton Santos. Ou seja, faltando oito rodadas, 24 pontos em disputa, a distância entre o 19º e o 14º é de sete pontos. Matematicamente mais que viável.

E o Vasco, que parecia respirar, estacionou na mesma pontuação de Sport e Fortaleza. Só tem um jogo a menos, contra o Palmeiras em São Paulo. Ainda que o Alviverde esteja focado nas finais de Libertadores e Copa do Brasil é partida complicada para um time que demonstrou instabilidade emocional e oscilação no rendimento depois do bom começo com Luxemburgo fazendo quatro pontos nos jogos contra Atlético-GO e Botafogo. Agora um vacilo indesculpável em casa.

Assim a briga na parte de baixo da tabela pode influir na luta por título e G-4, deixando o Brasileiro ainda mais maluco. Com praticamente todos vivos e tendo uma meta pela qual lutar, as partidas devem ficar ainda mais imprevisíveis. Como ninguém inspira confiança no topo, pode acontecer de tudo nas últimas rodadas.

A bobagem de Henrique ao agredir Sarrafiore colocou fogo de vez em uma edição atípica da principal competição nacional. Se vem faltando qualidade, a emoção por causa do equilíbrio deve ser a tônica mais uma vez.

(Estatísticas: SofaScore)