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André Rocha

No "vácuo de poder", Internacional de Abel tem chances reais de título

Jogadores do Internacional comemoram gol marcado contra o Ceará, em jogo do Brasileirão - CAIO ROCHA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Jogadores do Internacional comemoram gol marcado contra o Ceará, em jogo do Brasileirão Imagem: CAIO ROCHA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

08/01/2021 08h28

O Internacional teve 40% de posse de bola e oito finalizações, três no alvo. Mas venceu por 2 a 0 no Castelão o Ceará, que concluiu 19, seis na direção da meta de Marcelo Lomba, que se lesionou e deu lugar a Daniel.

O time do questionado Abel Braga, descartado para a próxima temporada no clube, que provavelmente terá Miguel Ángel Ramírez no comando técnico, chegou à quarta vitória consecutiva e aos 50 pontos, alcançando a segunda colocação e ficando a seis pontos do líder São Paulo.

A equipe de Caio Vidal e Yuri Alberto, autores dos gols em rápidas transições ofensivas. Sem Thiago Galhardo, suspenso, mas encontrando soluções para se manter competitivo. Sem a intensidade e a pressão dos tempos de Eduardo Coudet, mas se virando jogo a jogo. Resgatando Rodrigo Dourado e novamente contando com Edenilson e Patrick como motores no meio-campo.

Capaz de vencer e ter a chance nos 90 minutos de eliminar o Boca Juniors na Bombonera. Encontrando forças para se reconstruir e seguir em frente. Com a possibilidade de crescer ainda mais no Brasileiro se vencer Goiás e Fortaleza em casa e ganhar consistência para encarar o líder São Paulo no Morumbi. Matematicamente, as chances são reais com dez jogos a cumprir.

Em um campeonato tão insano e atípico, tudo pode acontecer. Por isso este colunista, mesmo considerando loucura a troca de Coudet por Abel, sempre deixou uma janela aberta para a possibilidade de sucesso. É futebol e esta edição do Brasileiro vem demonstrando um impressionante "vácuo de poder".

O outrora favorito Flamengo se perdeu sem Jorge Jesus e com escolhas infelizes. O Atlético Mineiro não aproveitou como se esperava o foco na competição por pontos corridos desde a primeira rodada. Agora o São Paulo, ainda líder e com "gordura" para queimar, dá a impressão de ter implodido depois da eliminação da Copa do Brasil. Mas é suficientemente "ciclotímico" para se recuperar e seguir na rota do título. Ou não.

Se o Inter de Abel chegar e conquistar a taça que não vem desde 1979, será uma trajetória tão improvável quanto histórica. Que poderia ser comparada - não em tradição e orçamento, mas pelo contexto - ao título inglês do Leicester City em 2015/16. Com Claudio Ranieri, que parecia em ocaso na carreira e depois não conseguiu nada parecido. Foi um encaixe perfeito, incluindo a "entressafra" dos grandes na Premier League.

Hoje, com Brendan Rodgers, o time parece mais forte e competitivo. Não contou, porém, com o vacilo do implacável Liverpool na temporada passada. Agora, também dentro do contexto do futebol na pandemia, está no bolo em uma tabela achatada. Apenas um ponto atrás do time de Jürgen Klopp.

No Brasil, com o vacilo dos concorrentes e Grêmio, Palmeiras e Santos ainda envolvidos com as competições de mata-mata, o Colorado parece decolar. Sem entregar muitas certezas, mas no bolo. Podendo, sim, fazer a festa no final.

(Estatísticas: SofaScore)