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André Rocha

Santos foi melhor que o Boca. Pênalti negado sobre Marinho é um escândalo

Marinho tenta se livrar da marcação de Fabra durante Boca Juniors x Santos na Copa Libertadores - Agustin Marcarian-Pool/Getty Images
Marinho tenta se livrar da marcação de Fabra durante Boca Juniors x Santos na Copa Libertadores Imagem: Agustin Marcarian-Pool/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

06/01/2021 22h04

O Santos foi mais organizado na maior parte da ida da semifinal da Libertadores, na Bombonera. Cuca apostou em uma formação inicial, em tese, mais ofensiva. Na prática, porém, Lucas Braga dava um maior suporte pela esquerda a Felipe Jonatan e dando liberdade a Soteldo, circulando do meio para a esquerda.

A diferença, porém, estava no meio-campo. Diego Pituca tem perfil mais organizador, de dar liga com o quarteto ofensivo, completado por Marinho e Kayo Jorge. Bem diferente do 4-4-2 "quadrado" do Boca Juniors de Miguel Angel Russo, que vive basicamente da velocidade e habilidade de Salvio e Villa pelos flancos e dos lampejos de Tévez, já na reta final da carreira.

Sem Cardona, que começou no banco, o meio-campo com Capaldo e González construía pouco por dentro e facilitava a marcação santista. O time xeneize só ameaçou em erros da defesa santista: de Lucas Veríssimo, com Villa parando no travessão, e Luan Peres, salva por Veríssimo. O gigante argentino consegue ser perigoso, mesmo com estádio vazio e sem inspiração.

Mas o Santos controlou bem até o final do primeiro tempo, só faltando a chance mais cristalina. Teve 56% de posse e quatro finalizações a três. Duas no alvo do alvinegro praiano contra nenhuma do Boca.

Tudo mudou no início da segunda etapa, com volume de jogo sufocante do Boca, pressionando no campo de ataque e forçando erros do adversário. Ainda sem criatividade no meio, mas empurrando o Santos para trás. Forçando Cuca a trocar o pendurado Soteldo por Sandry. Mas funcionou, com a equipe visitante voltando a equilibrar as ações. Lucas Braga ganhou liberdade pela esquerda e Marinho passou a de movimentar e aparecer, compensando Kayo Jorge, que se mexia, mas produzia pouco.

Com Cardona no lugar de González, o Boca passou a circular um pouco mais a bola de forma consciente por dentro. Subiu a posse para 45%. Faltou a contundência no universo de nove finalizações, duas no alvo. O Santos teve uma a mais no total, o mesmo número na direção da meta de Andrada.

A grande oportunidade santista de voltar de Buenos Aires com uma vitória que encaminharia uma final brasileira foi negada pela arbitragem do chileno Roberto Tobar. O zagueiro Izquierdoz empurrou Marinho por cima e tocou só no atacante com a perna dentro da área. Um pênalti claro. O escândalo citado no título foi o VAR não chamar o árbitro para conferir no detalhe do vídeo. Talvez porque seria impossível ignorar...Ah, a Conmebol e o futebol argentino...

O empate sem gols leva algum perigo para a Vila Belmiro. Qualquer gol do Boca obriga o Santos a vencer o jogo. Mas é possível se impor, como na goleada sobre o Grêmio na semifinal. O Boca não tem muito além de cultura de vitória no torneio e alguns talentos. A menos que a arbitragem ajude novamente.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL