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André Rocha

Gols perdidos, falha crucial atrás. Vasco foi o Flamengo na Sul-Americana

Sá Pinto comanda o Vasco da Gama em jogo contra o Defensa y Justicia pela Copa Sul-Americana 2020 - Jorge Rodrigues/AGIF
Sá Pinto comanda o Vasco da Gama em jogo contra o Defensa y Justicia pela Copa Sul-Americana 2020 Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

04/12/2020 08h32

Depois da eliminação do Flamengo na Libertadores, ainda na noite de terça-feira, muitos vascaínos nas redes sociais, em um misto de orgulho e saudável brincadeira, afirmavam que o Vasco reassumia a sua função histórica de representar bem o Rio de Janeiro em competições sul-americanas.

Mesmo em meio ao caos do clube, afundado em crises política e financeira há anos, havia razão para algum otimismo: o Vasco empatara por 1 a 1 com o Defensa y Justicia na Argentina e poderia jogar confortável em São Januário, defendendo no habitual 5-4-1 montado por Sá Pinto e acelerando os contragolpes. Administrando mais do que o rival Flamengo contra o Racing, pela obrigação de atacar dos rubro-negros que investem muito mais no futebol e vêm de conquistas recentes.

O roteiro infeliz, porém, foi muito parecido. Ribamar foi o Vitinho do Flamengo, mas com muito mais "ênfase". Enquanto o camisa onze rubro-negro perdeu duas chances claras, o centroavante vascaíno - substituto de Germán Cano, com Covid-19 - desperdiçou o dobro. Uma delas furando dentro da área, em lance que lembrou o erro de Bruno Henrique na primeira oportunidade do Fla na terça.

A impressão é de que, além da falha técnica, o atacante não chega inteiro para finalizar. Ou acredita que não precisa ser tão preciso porque haverá outras oportunidades. E erra seguidamente. O colombiano Gustavo Torres, novamente escalado pela direita para usar a velocidade nas transições ofensivas, também perdeu gol concluindo com liberdade.

Foram 14 finalizações, apenas cinco no alvo. Contra nove do time argentino, treinado por Hernán Crespo, que trabalhou mais a bola, terminando com 55% de posse. No 4-1-4-1, ousou bem mais que o Racing no Maracanã. Até pelo equilíbrio de forças e a ideia de jogo que não se perdeu totalmente com a saída de Sebastián Beccacece, hoje treinador do time de Avellaneda.

Mas o gol veio em um ataque aleatório na segunda etapa, com cruzamento da direita que o jovem goleiro Lucão não acompanhou,a bola, que bateu no travessão, a defesa também hesitou no rebote e Gabriel Hachen conferiu para marcar o gol único da partida. Talvez seja uma vantagem dos argentinos nos confrontos sul-americanos: a noção de que grandes chances não podem ser perdidas num mata-mata. Como Leonardo Sigali não desperdiçou o erro de Gustavo Henrique na terça. Falhas cruciais na defesa que não foram perdoadas.

A "ressaca" do Vasco, porém, é bem mais dolorosa que a do rival. Com presidente indefinido em mais uma eleição confusa, o cruzmaltino vê um futuro ainda mais nebuloso, com risco real de novo rebaixamento. Precisa de vitórias que não consegue construir, apesar de alguma melhora defensiva com Sá Pinto. Muito pouco para um tetracampeão brasileiro, bi sul-americano e campeão da Mercosul 2000.

Conquistas que vão ficando num passado distante e abalando a confiança do torcedor até para zoar o rival. A dura realidade, com muitas semelhanças nos reveses, chegou em 48 horas. O Vasco foi o Flamengo na Sul-Americana.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL