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André Rocha

As "descobertas" de Klopp no Liverpool esfacelado, mas classificado

Curtis Jones comemora gol do Liverpool contra o Ajax, pela Liga dos Campeões - PA Images via Getty Images
Curtis Jones comemora gol do Liverpool contra o Ajax, pela Liga dos Campeões Imagem: PA Images via Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

01/12/2020 19h29

Quando Robertson pediu atendimento médico aos 27 minutos de jogo em Anfield contra o Ajax, certamente Jürgen Klopp se arrepiou com a possibilidade de perder o último pilar da defesa do Liverpool. Mas Tsimikas, o reserva que estava no aquecimento, voltou para o banco depois que o lateral escocês reforçou uma botinha no tornozelo e voltou ao campo.

Sem Van Dijk por um bom tempo e sofrendo também com as ausências de Alexander-Arnold, Joe Gomez, Milner, Thiago Alcântara, Naby Keita, Oxlade-Chamberlain e Shaqiri, Klopp também perdeu o goleiro Alisson por problema muscular pouco antes da partida. Tudo isso em um duelo importante para garantir logo a classificação no Grupo D da Liga dos Campeões, depois da derrota por 2 a 0 para a Atalanta na última rodada.

Resta ao treinador alemão nesta temporada mais que atípica buscar soluções dentro do elenco para se manter competitivo. E as respostas foram positivas. A melhor do goleiro irlandês Caoimhin Kelleher, aposta de Klopp passando à frente de Adrián na meta, se destacando com boas defesas.

Contra um Ajax ofensivo, mesmo como visitante. Com 55% de posse e a habitual movimentação de Tadic como "falso" nove abrindo espaços para as diagonais dos ponteiros brasileiros Antony e David Neres. Mas o treinador Erik ten Hag, apesar da boa campanha na Eredivisie, ainda sente falta das infiltrações de Donny van de Beek, hoje no Manchester United. Gravenberch tem qualidade, mas nem tanta presença na frente, necessária para não "esvaziar" a área adversária.

Ainda assim, foram dez finalizações, quatro no alvo que pararam em Kelleher, garantindo um sistema defensivo com nítidos e compreensíveis problemas por desentrosamento. Fabinho na zaga com Matip. Neco Williams na lateral direita e Robertson "sobrevivendo" pela esquerda.

Mas se Neco teve alguns problemas atrás contra Neres, o galês compensou com personalidade no apoio. E sorte, com o cruzamento de pé esquerdo contando com a falha do goleiro Onana, que hesitou e o garoto Curtis Jones aproveitou e foi às redes, marcando o gol da vitória.

Jones, de 19 anos, completou pela esquerda o trio de meio-campo com Wijnaldum centralizado e Henderson pela direita. Na frente, Salah e Mané nas pontas e Diogo Jota centralizado. Mais uma vez ficou a impressão de que as características do português não casam tão bem com a dupla pelos flancos. São três "flechas" que precisam de um "arco".

É Roberto Firmino, mas o camisa nove continua oscilando. O brasileiro entrou no segundo tempo na vaga de Jota e não melhorou tanto a produção ofensiva. Não dá, porém, para falar em vitória injusta dos Reds. Foram 12 finalizações, também quatro no alvo.

Triunfo na conta de Kelleher, Williams e Jones, as descobertas de Klopp em um Liverpool esfacelado por tantas ausências, mas garantido no mata-mata da Champions.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL