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André Rocha

São Paulo volta a vencer, com versatilidade e a persistência de Diniz

Luciano, do São Paulo, comemora seu gol diante do Bahia pelo campeonato Brasileiro - Jhony Pinho/AGIF
Luciano, do São Paulo, comemora seu gol diante do Bahia pelo campeonato Brasileiro Imagem: Jhony Pinho/AGIF

Na volta do intervalo do empate por 1 a 1 com o Vasco no Morumbi, Fernando Diniz arriscou duas trocas no São Paulo: Tche Tche na vaga de Juanfran e Vitor Bueno no lugar de Luan. Mantendo a estrutura do 4-4-2, mas com mudanças de função: Gabriel Sara saiu do lado direito para jogar por dentro no meio com Daniel Alves. Igor Gomes inverteu o lado para jogar à direita e Vitor Bueno ocupou o setor esquerdo. O técnico investiu na versatilidade de seus atletas para atacar mais.

A ousadia nas substituições tinha uma razão óbvia: o time cruzmaltino se fechava num 5-4-1 e o time mandante precisava surpreender o adversário com novas soluções. O São Paulo obviamente dominou a segunda etapa, mas não conseguiu o gol da vitória.

Objetivamente não funcionou, já que o resultado não foi alcançado. Mas Diniz não descartou a tentativa, pois sabia que em outra partida as mudanças poderiam ser mais produtivas. Até porque o jogo com o Vasco tinha o contexto do desgaste físico e emocional, além de uma certa "ressaca", pela vitória por 3 a 0 sobre o Flamengo e a classificação para as semifinais da Copa do Brasil.

O contexto do empate pelo mesmo placar com o Ceará foi diferente, porque o time de Diniz conseguiu abrir o placar no primeiro tempo, com Diego Costa. Acabou levando o empate no primeiro minuto da segunda etapa e o cenário mudou. Mesmo resultado, outra história.

Mas na Fonte Nova diante do Bahia, o roteiro se mostrou semelhante ao da partida no Morumbi domingo passado. O time de Mano Menezes, ainda afastado por Covid-19, chegou a se fechar com uma linha de seis, ao recuar os pontas Rossi e Ramon como laterais se juntando aos quatro defensores, sem Lucas Fonseca e Anderson Martins na zaga.

Gregore e Elias se posicionavam à frente da retaguarda e Alesson e Rodriguinho, que também voltavam para marcar no próprio campo, ficavam como o escape para transições ofensivas. Foi a solução sem o suspenso Gilberto.

O Bahia deixava o São Paulo com a bola - 61% de posse nos primeiros 45 minutos - e apostava nos espaços cedidos pelo adversário que precisava voltar a vencer. Finalizou sete vezes contra cinco, três a dois no alvo e terminou a primeira etapa com a impressão de superioridade no jogo.

Tudo mudou na volta do intervalo. Com os mesmos Tche Tche e Vitor Bueno. Saindo Juanfran, mas desta vez Luan permaneceu, improvisado na zaga - saiu Léo, que formou a zaga com Arboleda. A transformação foi imediata, com qualidade na construção desde a defesa, mais cuidado com a bola - subiu a posse para 64% e a efetividade nos passes chegou a 90% - encontrando no setor esquerdo, com Reinaldo e o suporte de Bueno, o "atalho" para construir a vitória.

O lateral esquerdo teve participação direta nos três gols: primeiro cobrando lateral para a bicicleta de Luciano, aproveitando falha coletiva da defesa do Bahia, que ficou tonta com mais adversários atacando a própria área. Depois Reinaldo cobrou falta pela esquerda na cabeça de Arboleda. Mais tarde, um passe para finalização tranquila e livre de Luciano, que chegou aos 11 gols no Brasileiro. O São Paulo finalizou 12 vezes no segundo tempo, seis no alvo.

Aumentando a invencibilidade para 14 jogos, apesar do gol de Clayson que fechou os 3 a 1. Para ficar um ponto atrás do líder Atlético Mineiro, porém com dois jogos a menos. Voltar a vencer em um campeonato atípico de oscilações naturais foi fundamental para não abalar a confiança.

Mas se há algo que não falta ao São Paulo é a coragem para arriscar. Assim como a capacidade de alguns jogadores de atuar em várias funções, que abre um leque de opções para confundir os rivais. Também a persistência de Diniz. Mais pragmático, sim, buscando o primeiro título relevante na carreira, Sem abrir mão, porém, de suas convicções. A vitória em Salvador teve a marca do treinador.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL