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André Rocha

Grêmio encaminha vaga com maturidade e o toque de Renato Gaúcho

Jean Pyerre comemora gol do Grêmio com Renato Gaúcho, em jogo contra o Guaraní (PAR) pela Libertadores 2020 - Luis VERA / POOL / AFP
Jean Pyerre comemora gol do Grêmio com Renato Gaúcho, em jogo contra o Guaraní (PAR) pela Libertadores 2020 Imagem: Luis VERA / POOL / AFP
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

26/11/2020 23h49

Renato Gaúcho é rei na parte azul de Porto Alegre e aproveita esta moral de maior ídolo da história do Grêmio para fazer um trabalho a longo prazo capaz de reconstruir várias vezes o time. Ajudado também pelo carisma e pela liderança para nunca perder o vestiário.

Um trabalho maduro de quatro anos que dava sinais de desgaste e estagnação. Mas agora volta a encaixar uma boa sequência, voltando a ficar presente no grupo da frente na tabela achatada do Brasileiro. No mata-mata, vaga garantida na semifinal da Copa do Brasil contra o São Paulo e agora a grande vitória por 2 a 0 sobre o Guarani no Defensores del Chaco, pelas oitavas de final da Libertadores.

Chegando a 13 partidas de invencibilidade e ajustando a proposta de jogo atual. No 4-2-3-1 organizado defensivamente, com a inesgotável liderança de Geromel e Vanderlei para salvar em momentos importantes. Como na grande defesa no início do segundo tempo em conclusão do zagueiro Baéz que, na volta, encaixou um contragolpe acionando Pepê e este encontrando Jean Pyerre para aparecer na frente e tirar do goleiro Gaspar Servio.

Gol com o toque de Renato Gaúcho, que posicionou o seu meia criativo mais adiantado também na fase ofensiva. Ao contrário do que vinha acontecendo em outras partidas. Jean Pyerre vinha recuando demais, até auxiliando na saída de bola, e muitas vezes isolando Diego Souza na frente. Qualifica o passe, mas não desequilibra no ataque. Desta vez apareceu mais próximo da área adversária. Não só com o gol, mas também com belo passe para Luiz Fernando, que entrou na diagonal, mas finalizou em cima de Servio.

As infiltrações dos ponteiros foram a grande opção ofensiva do time gaúcho na primeira etapa. Diego Souza recuava e Luiz Fernando e Pepè entravam. Mas os primeiros 45 minutos foram de estudos e poucos riscos. Não por acaso foram apenas três finalizações, nenhuma no alvo. O Guarani só criava quando a bola caía nos pés de Bautista Merlini, o camisa dez que circulava pelas pontas. Mas logo foi encaixotado pelas dobras lateral-volante: Victor Ferraz e Darlan pela direita, Diogo Barbosa e Matheus Henrique à esquerda.

Vanderlei só apareceu novamente em grande defesa no chute de fora da área do volante Jorge Morel. Fora isso, o jogo foi de controle gremista, acelerando e desacelerando. Com a experiência de campeão de 2017 e semifinalista nas últimas duas edições. Com Churín, Everton, Pinares e Lucas Silva nas vagas de Diego Souza, Luiz Fernando, Jean Pyerre e Matheus Henrique, já com cartão amarelo, o desempenho se manteve.

E veio o segundo gol, com mais uma rápida transição ofensiva e toque com categoria de Pepê por cima do goleiro. E o ponteiro esquerdo, o único preservado no ataque, ainda teve a chance do terceiro que praticamente sacramentaria a classificação para as quartas de final. Mas é inegável que a vaga está muito bem encaminhada.

Méritos de Renato, que acertou em cheio também na homenagem usando a dez albiceleste de Maradona. Também com o controle sobre todos os processos e que aproveita a "memória" do longo trabalho para compensar o pouco tempo para treinamentos, inclusive utilizando mais titulares que o habitual nesta edição do Brasileiro. Treinador e equipe são recompensados com o melhor momento do Grêmio na temporada.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL