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André Rocha

Maradona é D10S porque sempre foi um gênio humano, imperfeito

Gol de mão de Maradona - Foto:  Bongarts/Getty Images
Gol de mão de Maradona Imagem: Foto: Bongarts/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

25/11/2020 15h06

Maradona era dos raros popstars, supercelebridades que este que escreve conseguia imaginar na esquina, tomando uma cerveja ou no campinho do bairro jogando bola - como esquecer do vídeo com o melhor do mundo brincando num campo de bairro enlameado?

Ele virou Deus, ou D10S, justamente porque sempre foi um gênio humano, imperfeito. Mas alguns de seus defeitos o levaram ao topo. Como a vaidade de querer ser sempre a estrela da companhia. A grande referência, o insubstituível. Amado por treinador e companheiros.

Talvez por isso não tenha ido bem na Copa de 1982, quando a Argentina chegou a Espanha com status de campeã e uma das favoritas, com a mesma geração vencedora de 1978. Para quatro anos depois, no México, com uma seleção subestimada, mas que indubitavelmente era uma "zebra", conduzir a Albiceleste ao bicampeonato com a melhor atuação individual em um Mundial.

No gol antológico contra a Inglaterra, o simbolismo da vingança pela tola guerra das Ilhas Malvinas poucos anos antes. O baixinho enfileirando gigantes melhor alimentados. Talvez o gol de mão tenha sido mais saboroso, pelo engano. De qualquer forma, ser o Davi contra o Golias era o que movia Diego Armando Maradona.

Mesma lógica no Napoli contra os milhões de Juventus, Internazionale e Milan. Derrubar gigantes, que normalmente são opressores. Por isso ergueu a voz contra FIFA e outros poderosos. Se manifestava com o olhar do povo. Por isso foi tão amado. Por isso a notícia é tão impactante até para quem não faz parte da Igreja Maradoniana. Enorme perda em um ano de tantas derrotas.

Esta coluna volta amanhã, um pouco mais triste. Mas tentando encontrar alívio ao imaginar que Maradona agora está mais leve para encarar quem aparecer na frente tentando massacrar os mais humildes. Talvez passe voando aqui no Brasil, quem sabe na minha rua. Um anjo torto para fazer reais os nossos mais justos anseios.

Coletivos, porque Maradona não sabia ficar sozinho. Até porque era impossível vê-lo solitário. Ele estava sempre com gente, porque se identificava com cada pessoa nos seus medos, frustrações e também esperanças. O mundo fica pior sem Diego. E que seja a última pancada deste 2020. Logo a mais doída.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL