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André Rocha

Mais uma vitória de Mourinho sobre Guardiola confirma tendência mundial

O atacante Son comemora o primeiro gol do Tottenham contra o Manchester City pelo Inglês - Divulgação/Twitter/SpursOfficial
O atacante Son comemora o primeiro gol do Tottenham contra o Manchester City pelo Inglês Imagem: Divulgação/Twitter/SpursOfficial
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

21/11/2020 16h37

A vitória por 2 a 0 do Tottenham sobre o Manchester City em Londres foi a quarta de um time de José Mourinho sobre uma equipe de Pep Guardiola nos últimos seis confrontos. Antes desta sequência, apenas um revés do catalão em dez partidas contra o português.

O roteiro do jogo não foi muito diferente do habitual no duelo entre os dois treinadores. Condicionado pelo gol de Son, artilheiro da Premier League com nove, logo aos quatro minutos. Com a retaguarda dos citizens já perdida com a movimentação de Harry Kane como um "falso nove", tirando a referência dos zagueiros Rúben Días e Laporte.

Passe de Ndombélé no espaço deixado por Kane, vacilo de Dias e infiltração do sul-coreano para abrir o placar. A senha para o City se instalar no campo de ataque, rodar a bola, mas com muitas dificuldades para infiltrar. Sem intensidade para um perde-pressiona mais agressivo, mas também com os Spurs evitando os erros de passe próximos da meta de Lloris.

Guardiola esperava muito de Mahrez e Ferrán Torres nas pontas, Gabriel Jesus na referência e De Bruyne e Bernardo Silva chegando por dentro na execução do 4-3-3. Mas o time visitante não marcava mais de um gol nas últimas cinco rodadas. Desta vez, nem isso.

Também pela solidez e organização do Tottenham em fase defensiva. Duas linhas de quatro compactas, Dier e Alderweireld muito seguros. Na retomada, Kane fazendo a articulação como pivô e Son pela direita, Ndombélé e Bergwijn alternando à esquerda e por dentro. Lucas Moura e Lo Celso entraram nas vagas dos dois últimos. Em contragolpe no segundo tempo, Lo Celso fechou os 2 a 0. Depois foi administrar negando espaços e acelerando as transições ofensivas.

Confirmando uma tendência mundial neste período de pandemia: quem se propõe a jogar como protagonista, mas sem se impor na posse de bola através do volume e demorando a definir os ataques assim que recupera no campo ofensivo, acaba sofrendo. À beira do campo, Guardiola demonstrava um certo conformismo com o insucesso em 2020/21, praticamente sem pré-temporada e tempo para treinar com elenco completo - nas datas FIFA, a maioria deixa Manchester para servir às seleções.

Melhor para Mourinho e Tottenham, que dormem na liderança da Premier League, algo que não acontecia desde 2014. E podem permanecer, já que o Leicester encara o Liverpool. Mas o time não se resume à retranca em todas as partidas. Há um claro plano ofensivo e muito bem executado. Com impressionante eficiência, finalizando apenas quatro vezes, duas no alvo. Nas redes. Com apenas 34% de posse. Na próxima rodada, clássico londrino com o Chelsea valendo o topo da tabela. "Só" isso.

O City precisa se adaptar ao contexto para se recuperar na liga. Pode terminar a rodada na segunda página da tabela, vergonhoso pelo altíssimo investimento. Não pode finalizar 22 vezes, mas só cinco na direção da meta de Lloris e chances claras apenas em lances aleatórios, de bolas levantadas na área. A má fase técnica de muitos jogadores é clara, mas o trabalho coletivo também parece comprometido. Tem que evoluir, mesmo com Guardiola sem poder interferir como em outras temporadas.

Mas para isso é preciso rever conceitos. O "zeitgeist" do futebol mundial é de pressão, velocidade, eficiência e inteligência para jogar conforme as demandas do jogo. Neste momento, José Mourinho está melhor adaptado e isso se reflete nos resultados.

(Estatísticas: BBC)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL