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André Rocha

Real Madrid vence clássico ao arrumar a defesa. Barcelona não competiu

24.out.2020 - Jogadores do Real Madrid comemoram gol na vitória sobre o Barcelona, no Cam Nou - Antonio Villalba/Real Madrid
24.out.2020 - Jogadores do Real Madrid comemoram gol na vitória sobre o Barcelona, no Cam Nou Imagem: Antonio Villalba/Real Madrid
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/10/2020 13h22

O primeiro tempo no Camp Nou foi eletrizante e divertido. Barcelona e Real Madrid eram intensos apenas para atacar, mas as transições ofensivas eram desorganizadas e deixavam muitos espaços para a cobertura dos zagueiros que não são rápidos.

Em oito minutos, os gols de Valverde e Ansu Fati. O meio-campista uruguaio que recebeu de Benzema e atacou o espaço antes de Piqué, Alba recebendo de Messi sem a atenção de Nacho e o garoto de 16 anos chegando mais rápido na área. As finalizações bem sucedidas entre tantas oportunidades criadas e cedidas.

O Real corrigiu diminuindo os espaços entre os setores na execução do 4-1-4-1 e acertou o posicionamento de Casemiro e a dinâmica defensiva de Kroos e Mendy para evitar que Messi ficasse no mano contra Sergio Ramos - no primeiro tempo o argentino driblou o capitão merengue com facilidade antes de finalizar sem ângulo e Courtois salvar.

Para o Barcelona é mais complicado proteger sua retaguarda. Nem com De Jong se juntando a Busquets à frente da defesa no 4-4-1-1 armado por Ronald Koeman. Philippe Coutinho, embora mais forte e intenso, ainda falha muito na concentração sem bola. E Pedri é um menino que joga porque Dembelé e Griezmann, contratações milionárias, não rendem e ficam no banco.

O time ainda tem o problema de Messi não participar da pressão pós-perda e tudo estoura no veterano Piqué e no oscilante Lenglet, que cometeu o pênalti tolo sofrido e convertido por Ramos que encaminhou a vitória do Real. Zidane, que costuma rodar mais o elenco, teve mais confiança em seus reservas. Lucas Vázquez entrou bem na lateral direita substituindo Nacho,

Rodrygo entregou mais profundidade pela direita na vaga de Asensio. Do lado oposto, Vinicius Júnior teve duelo equilibrado com o jovem lateral Dest, o único que se salvou na última linha defensiva do Barça.

E Modric, que entrou no lugar de Valverde, abusou da calma e da técnica para aproveitar a saída de Neto aos pés de Vinicius para definir os 3 a 1. Goleiro brasileiro que vem tentando compensar a ausência de Ter Stegen com grandes defesas e evitou o pior. Mas sem mascarar um time que simplesmente não compete em alto nível.

O Real Madrid também sofre e ficou claro no primeiro tempo desastroso contra o Shakhtar pela Liga dos Campeões. Mas foi o suficiente no clássico animado, porém ainda preocupante se pensarmos no enfrentamento da dupla outrora dominante no continente com os intensos Bayern de Munique e Liverpool.

O Barça foi amassado nas duas últimas temporadas, o Real se livrou porque caiu antes na Champions. Um símbolo da queda dos dois gigantes da Espanha.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL