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André Rocha

Com sorteio da Libertadores, ser treinador do Palmeiras virou um "empregão"

Gabriel Heinze era técnico do Vélez e deixou o clube em março - Divulgação/Vélez
Gabriel Heinze era técnico do Vélez e deixou o clube em março Imagem: Divulgação/Vélez
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/10/2020 02h23

Miguel Ángel Ramírez recusou a oferta do Palmeiras. Independentemente da negociação ter avançado a ponto do clube paulista enviar dirigentes para tratar a questão no Equador, é direito do profissional recuar. É humano e até louvável pelo compromisso de encerrar a temporada no Independiente Del Valle.

O Palmeiras não tem um projeto muito claro. Quer revelar jovens para ter o ganho técnico na equipe principal e depois lucro nas vendas, até para acertar as contas com a patrocinadora/conselheira. E quer continuar sendo vencedor, não importa como. Desde 2015 o futebol de resultados, sem maiores preocupações com desempenho e estilo, foi a tônica com Marcelo Oliveira, Cuca. Felipão e, por último, Vanderlei Luxemburgo; Exaltado pela conquista do Paulista e por uma invencibilidade de 20 jogos com futebol sofrível.

Luxemburgo que foi a escolha depois da recusa, ou das dificuldades impostas por Jorge Sampaoli. Agora é Ramírez quem diz não e o clube mira Gabriel Heinze. O argentino se transformou no alvo mais por pressão da torcida em redes sociais do que pela convicção de que a visão de futebol do treinador é compatível com o que o Palmeiras deseja.

Seja como for, o sucessor de Luxemburgo vai herdar um elenco com qualidade e ótima estrutura para trabalhar. Faltará tempo para treinar, mas a temporada acena com a possibilidade de repetir 2018, mas desta vez com chances de ser bem-sucedido nas prioridades do clube.

Há dois anos, Felipão armou um time "alternativo" para disputar o Brasileiro enquanto os titulares disputavam Copa do Brasil e LIbertadores. Acabou eliminado em ambas e a equipe sem maiores responsabilidades nos pontos corridos acabou conquistando a liderança e depois os titulares confirmaram a taça.

Agora as chances de título brasileiro parecem mais remotas - o time estacionou nos 22 pontos e, com um jogo a menos, está a 12 de Internacional e Flamengo. Mas na Copa do Brasil tem um confronto acessível nas oitavas com o Bragantino, penúltimo colocado do Brasileiro.

Já na Libertadores o cenário é ainda mais promissor: encara o Delfín nas oitavas e, se passar, terá como adversário nas quartas o vencedor do confronto Jorge Wilstermann x Libertad. Caminho, em tese, pavimentado para uma possível semifinal contra o River Plate.

Ou seja, o novo treinador do Alviverde pode assumir, fazer experiências no Brasileiro e, mesmo em um processo de adaptação, seguir em frente e priorizar essas competições eliminatórias sem traumas. Porque, de fato, parecem bons "atalhos" para conquistar mais um título em 2020.

O posto do qual alguns fugiram recentemente pode virar um "empregão" pelo contexto. Quem será o escolhido?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL