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Keno goleador resolve problema e torna Galo ainda mais forte

Keno comemora gol marcado contra o Grêmio  - Marcelo Alvarenga/ Foto FC / UOL
Keno comemora gol marcado contra o Grêmio Imagem: Marcelo Alvarenga/ Foto FC / UOL
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

26/09/2020 23h02

Quando o Atlético Mineiro contratou Eduardo Sasha, o objetivo de Jorge Sampaoli era resolver um problema que se apresentava logo nas primeiras partidas depois da volta do futebol: a relação finalizações/gols não era boa e, dentro da proposta de jogo do treinador argentino, significava complicar jogos controlados.

O time ocupava o campo de ataque, tinha volume de jogo, trabalhava a bola, até encontrava espaços entre defesa e meio-campo do adversário, conseguia dar profundidade às ações ofensivas, mas falhava nas finalizações. Marrony não é o típico goleador e Nathan buscava compensar com presença na área e relativa eficiência.

Tudo mudou com Keno chegando, entrando em forma e se adaptando à dinâmica de jogo. Com auxílio luxuoso pela esquerda de Guilherme Arana e agora Nathan, voltando de contusão. Atacando no 2-3-5 com laterais trabalhando por dentro e meias muito adiantados, o Galo trabalha a bola até chegar ao camisa onze, que corta para dentro e finaliza. Ou aparece para finalizar a jogada criada pela direita.

Assim marcou seis gols nas últimas duas partidas. Antes tinha ido às redes apenas uma vez. Decisivo nos 4 a 3 sobre o Atlético-GO e desequilibrante nos 3 a 1 sobre o Grêmio que consolidaram a liderança do Brasileiro. No Mineirão contra o time gaúcho, com time misto e o habitual desinteresse pela competição por pontos corridos quando está mais envolvido nos torneios de mata-mata, aproveitou as falhas de Paulo Victor nos dois primeiros e um vacilo coletivo na bela reposição do goleiro Everson que Keno só parou tocando na saída do goleiro.

Mesmo com semanas cheias para trabalhar, Sampaoli ainda sofre com oscilações dentro das partidas. A transição defensiva se sai melhor quando pressiona e recupera logo após a perda, porém esse movimento perde intensidade ao longo da partida e permite ataques do adversário em igualdade ou mesmo superioridade numérica contra os defensores.

Ao sentir que seu time perdia o meio e sofria atrás, com chances gremistas além do gol de Isaque, o técnico do Galo trocou Nathan por Allan e ganhou consistência, recuperando naturalmente o controle do jogo. Mas é algo a se trabalhar, até pelo número menor de jogos até o fim da temporada em comparação com a maioria das equipes neste momento. Tem que sobrar mais fisicamente.

Mas ao menos o problema de contundência no ataque parece resolvido. Ou minimizado neste momento pelo momento iluminado de Keno, que nunca tinha conseguido um "triplete" na carreira. Nas duas partidas, dez finalizações, oito no alvo, seis nas redes. Quase um terço das 34 conclusões em 180 minutos. Durante o jogo e no apito final, ganhou elogios até de Renato Gaúcho, treinador rival. O Galo fica ainda mais forte, e líder, com essa arma letal.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL